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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2011

Imprensa vimaranense (13)

Com o título A Reacção publicou-se entre Outubro de 1872 e Fevereiro de 1874 (informação de Pereira Caldas). Apresentava-se como “folha religiosa, literária e noticiosa” e era de pendor marcadamente anti-liberal. O seu administrador foi administrador José António Teixeira de Freitas e teve como responsável S. A. de Magalhães Brandão. Imprimia-se na Tipografia do jornal Religião e Pátria. Tinha morada no n.º 17 da antiga rua de S. Dâmaso. Publicava uma secção com o título “Piparotes Reaccionários” que “por nossa conta, e por conta de vários jornais católicos, oferecemos aos liberastas”.

Para onde o caminho aponta

Reuniu hoje o Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães. Quem ali chegou de novo (e vários são os agora que tomaram assento pela primeira vez neste pequena assembleia) dificilmente perceberá o que mudou entre Março e Outubro de 2011. Foi como da noite para o dia. Dia claro, este, em que o ar se respira com uma normalidade serena e saudável. Olhando em volta, percebe-se facilmente que se atiraram dois anos pela janela fora e que agora o tempo é escasso e a conjuntura difícil. Mas é o que temos, já sem margem para o erro. É manifesto que se corre contra o relógio e que a velocidade de cruzeiro em que se entrou nestes últimos meses arrisca abeirar os limites de segurança. Não há margem para olhar para trás: repisar equívocos e enganos passados é um inútil desperdício de tempo e de energias. Como alguém disse hoje, a CEC2012 tem uma boa narrativa, mas escasseia-lhe o tempo para a contar. Todos somos chamados para lhe dar corpo. Temos uma Capital Europeia da Cultura para construir. Co…

A questão do Seco

A "justiça de Guimarães", segundo o Padre António Vieira (aliás, Padre Manuel da Costa)

Os responsáveis pelo jornal Justiça de Guimarães colheram o título daquele periódico na obra atribuída ao Padre António Vieira (há discussão quanto à autoria deste livro, actualmente atribuído ao Padre Manuel da Costa, também seiscentista) cujo título completo é Arte de furtar: espelho de enganos, teatro de verdades, mostrador de horas minguadas, gazua geral dos reinos de Portugal, escrita em meados de seiscentos e publicada em Amesterdão um século depois. Ao que se depreende, a expressão "justiça de Guimarães" tem o sentido de justiça cega e inclemente. Aqui se transcreve o excerto da Arte de Furtar onde aparece aquela expressão:
Se Deus castigara logo, quantos o ofendem mortalmente, já não houvera gente no mundo, e há Desembargadores que dão sentenças de morte, por sustentar capricho. E se na sua mão estivera, despovoariam o Reino. Vi um Padre da Companhia de Jesus propor uns embargos, para livrar um pobrete da forca: falava com um destes Ministros, que era o Relator, na es…

Imprensa vimaranense (12)

Entre Fevereiro e finais de Agosto de 1872 publicou-se em Guimarães um jornal com o título Justiça de Guimarães, que apenas tratou de um assunto: o conflito que então se abriu entre a cidade e o juiz Francisco Henriques de Sousa Seco. Aparecia como responsável Ilídio António Dias, que seria o testa de ferro do grupo de cidadãos que encabeçava a contestação ao famigerado juiz. Seriam seus proprietários os advogados Rodrigo Teixeira de Menezes, José da Cunha Sampaio, Jerónimo Pereira Leite de Magalhães, João Pereira Leite de Magalhães e Couto e Avelino da Silva Guimarães e teve como colaboradores, entre outros, Joaquim Peixoto de Abreu Vieira, José Sampaio, Avelino da Silva Guimarães, Rodrigo Salazar e Francisco Martins Sarmento. Este último foi o financiador e a alma mater desta publicação, que teve distribuição gratuita.

O Justiça de Guimarães, que foi buscar o seu título a um excerto da Arte de Furtar, publicada em meados do séc. XVIII com a indicação do Padre António Vieira como seu …

Imprensa vimaranense (11)

Surgido em 1871, O Berço da Monarquiaparece suceder ao A Sentinela, uma vez que tinha o mesmo proprietário, Augusto dos Santos Guimarães, que também era o detentor da tipografia onde era composto e impresso. Em 1872, o jornal passou a ter um formato um pouco maior do que o anterior, aparecendo, como administrador, Jacinto de Sousa Alves, e o jornal era feito na Tipografia de O Berço da Monarquia. A redacção manteve-se na mesma morada, na rua de D. João I. Publicava-se às quartas-feiras e aos sábados. Terá desaparecido ainda na primeira metade do ano de 1872. O escritor vimaranense Miguel Mascarenhas assinou alguns textos curiosos, que se publicaram na secção “Folhetim” deste jornal. Aparentemente, este jornal nada tem a ver com o que foi publicado com o mesmo título no final da década de 1850.

Imprensa vimaranense (10)

O jornal A Sentinela publicou-se, segundo o padre António Caldas, entre Junho de 1870 e Janeiro do ano seguinte. Apresentava-se como “religioso, político e noticioso”. Augusto dos Santos Guimarães exercia as funções de administrador. Como responsável, aparecia José dos Santos. Tinha tipografia própria e escritório e redacção no n.º 3 da rua dos Fornos (actual rua João Lopes de Faria). Publicava-se às segundas e às quintas-feiras. Entre 1916 e 1917 haveria de publicar-se em Guimarães um jornal com o mesmo título, mas com natureza completamente diferente.

Imprensa vimaranense (9)

O jornal Fraternidade começou a publicar-se no final de Janeiro de 1870, substituindo o jornal Vimaranense. Apenas sabemos que foi o seu administrador e responsável, António Vieira Correia da Cunha, que, até aí, exercia as mesmas funções no Vimaranense. Imprimia-se na Tipografia Fraternidade e tinha escritório na rua Escura (actual rua Gravador Molarinho). Publicava-se duas vezes por semana, às terças e às sextas-feiras. Apresentava-se como “jornal político e noticioso” e era afecto ao Partido Progressista. Não é certo quanto tempo tenha durado, mas terá terminado a sua existência no Verão de 1870, uma vez que em Agosto desse ano já se publicava novamente o Vimaranense, com o mesmo aspecto gráfico, o mesmo responsável e a mesma sede do Fraternidade.
Num texto intitulado “Guimarães”, publicado no n.º 2, de 1 de Fevereiro de 1870, dá-se a seguinte imagem da cidade:
É duro e custa a sofrer, quando lá por fora ouvindo falar em desproveito de Guimarães, não podemos alçar a voz em nosso desab…

Imprensa vimaranense (8)

Imprensa vimaranense (7)

De todos os jornais que em Guimarães iniciaram e terminaram o seu curso no século XIX, o Religião e Pátria foi o que alcançou maior longevidade. Publicou-se entre Outubro de 1862 e Dezembro de 1895, com um intervalo entre 11 Novembro de 1865 e 20 de Abril de 1867, tendo sido então substituído pelo título Gazeta do Minho. Não são claras as razões da suspensão do título, que foi assim anunciada:

Acaba, com este número, o último desta série, a publicação do periódico “Religião e Pátria”, para começar brevemente a publicação dum outro, que terá em tudo a mesma índole deste, diferindo apenas no título.

Somos levados a dar este passo por circunstâncias que não cabe relatar aqui; mas não sofrerão nada com isso os snrs. assinantes, aos quais pedimos a continuação do favor da sua assinatura.

O Religião e Pátria apresentava-se como “religioso, político e noticioso”. Teve como primeiro responsável Tomás Guilherme de Sousa Pinto, sendo administrador. José António de Faria e Silva. Teve redacção e ti…

A festa do ladrão

Na Secção Literária do primeiro número do jornal O Conciliador (5 de Maio de 1860), José Joaquim da Silva Júnior publicou um texto com o título “Um facto do século passado”, em que contava a história da festa do ladrão, que se celebrava na igreja de S. Francisco a cada dia 29 de Abril. O facto que aquela festa celebrava terá acontecido no ano de 1710 (diz o autor que calhou então a uma terça-feira, o que não corresponde à verdade: o dia 29 de Abril de 1710 calhou a um domingo).
Aqui fica o texto em referência:
Há por aí memórias que, apresentadas aos olhos dos homens, não deixam de causar uma certa impressão, o que, para que ele as acredite, necessita de empregar uma crítica severa; tal é o facto que passo a narrar.
No domingo próximo passado que se contam 29 de Abril, fui eu despertado por uma ideia a que não podia deixar de prestar o meu assentimento. Ouvi repicar os sinos de S. Francisco, a princípio estranhei o caso, e moveu-me a curiosidade ir ver o que seria, porém, antes de entrar…

Imprensa vimaranense (6)

A Oliveira começou a publicar-se no dia 20 de Abril de 1860, apresentando-se como um "jornal de anúncios" que incluiria "também alguns artiguinhos de instrução e recreio". Inicialmente era de distribuição gratuita. A partir do n.º 3, passou a apresentar-se como "jornal de instrução, recreio, notícias e anúncios, não contendo política de qualidade alguma", deixando então de ser grátis. O seu proprietário era Delfim José Monteiro Guimarães Júnior. Imprimia-se na Tipografia de Francisco José Monteiro (n.º 32 da rua da Caldeiroa). A indicação de que o jornal se abstinha da política deixou de constar a partir do n.º 8.  Terminou a sua curta existência com o n.º 18,  no dia 3 de Julho de 1860.

Imprensa vimaranense (5)

O jornal O Conciliador começou a publicar-se em Maio de 1860 e desapareceu no seu terceiro ano, em 1862. Era propriedade de José Ferreira Mendes de Abreu e C. A. Máximo, exercendo o primeiro as funções de redactor. Imprimia-se no n.º 8 da rua do Gado, onde funcionava a tipografia do jornal Vimaranense. Saía às quintas-feiras. No primeiro número apresentou-se como um periódico religioso e literário, que se absteria da política e que daria "conhecimento das notícias mais importantes, tanto estrangeiras, como nacionais e das possessões ultramarinas, não poupando as da localidade".

Imprensa vimaranense (4)