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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2011

A Praça de S. Tiago (5)

Na década de 1960, foi-lhe acrescentado à Praça de S. Tiago, um novo elemento, o edifício conhecido por “Casa Medieval”, que foi removido do local onde se encontrava, na sequência das obras que rasgaram a alameda que vai do antigo jardim Público ao Campo da Feira. Foi reconstruída no topo do bloco de casas situadas entre o Largo de S. Tiago e a rua dos Açoutados, do lado contrário ao edifício dos antigos Paços do Concelho. O transplante deste edifício foi saudado por A. L. de Carvalho, no Notícias de Guimarães de 15 de Fevereiro de 1959, como “um feliz advento para aquele abandonado rossio”, cujo estado constituíria “um espectáculo pouco edificante para a fisionomia arcaica daquela zona da cidade”.

O processo de trasladação e reconstrução da “Casa Medieval” arrastou-se ao longo do tempo. Pensada em 1959, só em Maio de 1963 é que a Câmara Municipal decidiu a sua concretização “com a máxima autenticidade”, com o propósito de entregar o edifício à Junta de Turismo local. O concurso para a…

Um nome que o Toural podia ter tido

A propósito dos nomes que o Toural tem tido, o meu amigo Francisco Brito deu-me a conhecer uma outra designação que a Praça poderia ter tido, ao menos por alguns dias (final de Julho e início de Agosto de 1826) e para algumas pessoas (os constitucionais de Guimarães). Essa denominação é atribuída à Praça pelo autor de um curioso texto, com o título “Festas em Guimarães pela aclamação da Carta Constitucional” publicado no jornal Borboleta Constitucional, de 16 de Setembro de 1826. Aí se refere aquele espaço da cidade de Guimarães como a “Praça de PEDRO IV (que assim se deve chamar à Praça do Toural por seu Patriotismo)”. Nas três páginas em que se descrevem os festejos, o autor não utiliza o nome Toural, referindo-se-lhe como a Praça e, por duas vezes, Praça de D. Pedro IV (“saiu, na tarde do 1.º de Agosto da Praça de D. Pedro IV um luzido Bando, que anunciava a grande Festividade do dia seguinte”; “o festejo teve lugar na grande Praça de D. Pedro IV”).
O texto da Borboleta Constitucion…

A Praça de S. Tiago (4)

Em 1916, a Câmara Municipal de Guimarães decidiu avançar com um concurso para a elaboração do projecto para o novo edifício dos Paços do Concelho (na proposta que apresentou, o Presidente da Câmara afirmava que “a casa que serve de sede para a Câmara Municipal é absolutamente imprópria, sob todos os pontos de vista sem excepção de um único”). Dos vários projectos apresentados ao concurso, um chamou as atenções por, como se escreveu em O Comércio de Guimarães, “apanhar bocados dos nossos principais monumentos”, fazendo “lembrar a história desta terra, não esquecendo absolutamente nada”. Trata-se do projecto Ourique, apresentado pelo Arquitecto José Marques da Silva. O local escolhido para a sua implantação foi a Praça de S. Tiago que, para tal, seria “alargada”, assim como as ruas Gravador Molarinho e do Espírito Santo. Por falta de meios de financiamento suficientes, o projecto de instalação dos Paços do Concelho na Praça de S. Tiago, que implicaria o desaparecimento deste largo, nunc…

Dos nomes que o Toural teve (e do nome que devia ter)

Num tempo em que ainda não tinha a configuração actual (recorde-se que, no essencial, os edifícios que hoje fecham a praça são do século XIX), era o Campo do Toural (algumas vezes, o terreiro do Toural). Na centúria de oitocentos afirmou-se como a Praça do Toural (designação já usada, por exemplo, pelo Padre Torcato Peixoto de Azevedo no início do século XVIII). Em Novembro de 1911, quando o monumento a D. Afonso Henriques já tinha sido trasladado para ali, a República mudou o nome do Toural para Praça do Libertador de Portugal. Pouco tempo perduraria esse nome: ainda 1911 não tinha chegado ao fim e já o Toural era conhecido por Praça D. Afonso Henriques, designação que se manteria até Dezembro de 1943. Passou então a designar-se oficialmente por Largo do Toural, nome que ainda hoje se mantém, mas que não corresponde à história, nem à configuração física da sala de visitas de Guimarães.
Todavia, para os vimaranenses, aquele espaço central da Guimarães que se ia alargando para fora das …

A Praça de S. Tiago (3)

A Capela de S. Tiago foi demolida quase no final do século XIX, num tempo em que a cidade de Guimarães já tinha sido amplamente fotografada. No entanto, não conhecemos qualquer fotografia deste monumento.

A primitiva capela da Praça de S. Tiago seria, segundo a tradição, um templo pagão, dedicado à deusa Ceres. O edifício que perdurou até ao último quartel do século XIX foi erigido no início do século XVII, no lugar da capela original, que se encontrava em ruínas.
Em Julho de 1882, a Câmara, por proposta do seu Vice-Presidente José de Castro Sampaio, decidiu expropriar a Capela de S. Tiago, com o propósito de a demolir, no quadro do projecto de melhoramento da Praça de S. Tiago proposto na década de 1860 pelo Eng.º Almeida Ribeiro. Houve quem protestasse contra esta demolição, considerando-a lesiva do património. Nos protestos, destacou-se o Padre Abílio Passos, que fez publicar uma carta sobre o assunto, no O Comércio de Guimarães (6 de Julho de 1885), na qual, apesar de ver com simpat…

A Praça de S. Tiago (2)

Durante séculos, a Praça de S. Tiago não foi o espaço amplo dos dias de hoje. No interior do largo que hoje dá forma à praça, havia várias linhas de casas e uma capela, a capela (ou igreja) de S. Tiago, cuja planta está desenhada no chão da praça, no local da sua antiga implantação.

A configuração que hoje lhe conhecemos, não existia então, nem existiria antes do século XX. A área actualmente ocupada pela Praça era, na sua maior parte, preenchida com edificações. O largo propriamente dito chamava-se então de Praça do Peixe, por ser aí que os peixeiros exerciam o seu ofício. A igreja fechava o espaço do lado do Poente, havendo uma outra corrente de casario em frente à que hoje existe do lado Sul e uma segunda fileira de casas, paralela à que agora delimita a praça do lado do nascente, que faceava com a rua dos Pasteleiros, hoje desaparecida. A norte, o recinto da Praça era delimitado pela mesma frente edificada que ainda hoje existe. Pela observação da planta de 1569, é visível que Praç…

A Praça de S. Tiago (1)

Há algumas zonas de Guimarães de que conhecemos poucas fotografias antigas. Um desses espaços, que hoje é um dos que mais se destacam pela sua “fotogenia”, é a Praça de Santiago. São escassas as imagens que conhecemos deste recanto da cidade. Mas existe uma razão: durante muito tempo foi uma praça de “má fama”. Não servia para bilhetes postais.
Ainda no século XIX, houve projectos para o melhoramento desta praça, e vielas anexas,que era descrita, como um espaço onde cada pocilga, é um foco de infecção. Daqueles casebres imundos emanam partículas deletérias que comprometem a saúde pública, como pode ler-se emO Comércio de Guimarães de 16 de Outubro de 1884. Tais projectos repetiram-se ao longo do século XX. Em Maio de 1904, a Câmara aprovou um projecto de ampliação da Praça de S. Tiago, procedendo à expropriação de três prédios, cujas traseiras fazem uma viela infecta, impossível de se tornar habitável”.
Em 1911, o jornal republicano Alvorada fez um inquérito aos seus leitores, que dever…

Mentira n.º 5.1.0

A propósito do texto publicado na revista Visão da semana passada (“As grandes mentiras da História de Portugal”, que pode ser lido no site da revista), e a que já aqui me tinha referido, escrevi ao director da revista, procurando, essencialmente, esclarecer dois aspectos do texto que não correspondiam à verdade: a afirmação de que foi apenas por um voto que o Castelo de Guimarães não foi demolido em 1836 e a sugestão de que o mesmo monumento, na sua forma actual, seria uma das “construções de cartolina” do Estado Novo. Não recebi resposta, mas vejo um excerto da minha mensagem publicado na página do “Correio do Leitor” da Visão de hoje.
Aqui fica o meu email na íntegra. A negro, no penúltimo parágrafo, vão os excertos publicados pela Visão. A sua selecção, cirúrgica q.b., dá impressão de que, mesmo num órgão de comunicação de referência, haverá, por vezes, preocupações que se elevam mais alto do que o rigor e a objectividade.
Exmo Senhor Director da Visão
Publica a Visão, no seu n.º 96…

Sobre o pelourinho de Guimarães

A Praça da Oliveira (9)

Não encontrámos, até ao momento, qualquer referência documental ao elemento que aparece implantado no lado virado a Norte da Praça da Oliveira, apontando para a embocadura da rua dos Açoutados, a que nos referimos antes. Todavia, somos levados a acreditar que se tratava mesmo do pelourinho de Guimarães, apesar do silêncio dos documentos, a que se refere Conceição Falcão no seu “Guimarães - ´Duas vilas, um só povo” (p. 325):
Do pelourinhode Guimarães nada fica para a Idade Média. Não existia na Praça, a julgar pelo mais cerrado silêncio de milhares de diplomas compulsados. As notícias posteriores – séculos XVII – dão conta da sua existência, para os lados de S. Francisco.
As referências mais antigas ao pelourinho de Guimarães que conhecemos levam-nos até ao início do século XVI (no dia 21 de Janeiro de 1606, o pedreiro Domingos Manuel, morador na rua Caldeiroa, arrematou, em sessão de Câmara, a execução do conserto do Pelourinho).
A localização do pelourinho é-nos dada pelo padre Torcato,…

A Rua de Santa Maria

A rua de Santa Maria é uma das mais antigas de Guimarães, aparecendo referenciada em documentos medievais. Conceição Falcão Ferreira classificou-a como rua de elite, por ser uma das preferidas da aristocracia vimaranense, onde nobres e clérigos tinham as suas moradas. De todas as suas casas destacava-se a do Conde da Azenha, a célebre Casa do Arco que atravessa a artéria. Com o andar do tempo, foi-se degradando. Era descrita, em meados do século XX, como uma rua imunda e nauseabunda, um vazadouro, “particularidades” que eram atribuídas aos maus costumes dos seus moradores. A sua requalificação data do início da década de 1970. Foi rebaptizada pela Câmara Municipal republicana no dia 2 de Novembro de 1910, adoptando o nome de Elias Garcia, pioneiro do republicanismo português. No final de 1943 recuperou a sua antiga designação, pela qual o povo nunca deixou de a chamar: rua de Santa Maria.

A Praça da Oliveira (8)

Nesta fotografia, publicada na revista Ilustração em Agosto de 1930, é visível que a Casa da Câmara já havia sido "descascada" do reboco que revestia a sua fachada voltada para a Praça da Oliveira, mas o que sobressai é o candelabro com três lâmpadas implantado em plena praça. Acabaria por ser transplantado, em 1933, para o Largo Cónego José Maria Gomes.

A Praça da Oliveira (7)

Na planta de Guimarães de meados do século XVI, a Oliveira aparece indicada simplesmente como “A Praça”, o que nos remete para a sua condição de praça central de Guimarães, a Praça Maior. Os alpendres (assinalados pelo ponteado) tinham uma presença forte na configuração da praça, distribuindo-se pelas frentes do norte, do poente e do sul. Estes últimos são aos únicos que sobreviveram até aos nossos dias, embora o mesmo não tenha acontecido com os seus prolongamentos para a rua dos Mercadores (actual rua da Rainha) e na direcção da Senhora da Guia.
Nesta planta, há um elemento que me intriga, e que ainda o não consegui identificar. Aparece do lado esquerdo da praça, próximo da Casa da Câmara. Parece um obelisco.

A Praça da Oliveira (6)

Antigamente, a Praça da Oliveira era marginada por alpendradas, como aquela que agora se vê nos edifícios do lado voltado a Sul, por trás da oliveira e do padrão. Na fotografia que vai acima, é possível ver as casas do lado poente da praça, ainda com alpendradas ao nível do piso térreo (repare-se no trecho visível entre o Padrão e a oliveira). De notar, também, as varandas salientes, em madeira.

Mentira n.º 5.1

A revista Visão de hoje (18 de Agosto de 2011) publica um artigo interessante com o título “As grandes mentiras da História de Portugal”. Ao lermos a “mentira n.º 5”, ficamos a saber que “os castelos (não) são do tempo dos mouros” -“tinham sido, mas o tempo destruíra-os. Então, o Estado Novo decidiu reerguê-los como achou que ficavam melhor – com muitas ameias bem recortadas”. O primeiro exemplo escolhido para ilustrar esta tese é, ora nem mais, o Castelo de Guimarães. Aqui fica a transcrição do essencial:
Antes da década de 40 do século XX, quem percorresse o País quase não encontraria castelos. Reduzidas as antigas fortalezas medievais a montes de pedras, só a custo custaria divisar aqui ou ali um pedaço de muralha, um vestígio de escadaria ou uma torre arruinada. Querem ouvir uma história? Se, num belo dia de 1836, um dos vereadores vimaranenses tivesse votado  de forma diferente numa reunião camarária, o Castelo de Guimarães teria sido demolido e a sua pedra utilizada para calcetar …

A Praça da Oliveira (5)

A Praça da Oliveira (4)

Nesta fotografia pode ver-se que a fachada voltada para a Praça da Oliveira da Casa da Câmara era revestida a reboco. Não se consegue perceber qual fosse a cor da pintura da fachada, mas parece certo que não seria o branco.
Os escudos e as esferas armilares que encimam as janelas aparecem cobertos por panos pretos, em sinal de luto, o que permite presumir que a imagem foi colhida em 1908, por altura do Regicídio.

A Praça da Oliveira (3)

Um dos elementos que, até ao início do século XX, marcavam presença na Praça da Oliveira, preenchendo-a com o rumor da água que escorria das suas três bicas, era o tanque-chafariz quinhentista que se encostava à torre da Colegiada. A água que debitava, vinha do manancial da Penha e chegava-lhe através do Cano da Vila. Foi instalado no século XVI e desmantelado em 1904, aquando da montagem do sistema de abastecimento público de água ao domicílio. Havia tempos que se defendia a sua remoção, pelos danos que a humidade causava aos magníficos túmulos dos Pinheiros, que ocupam no interior da torre.