30 de junho de 2011

Para tudo há um tempo

Há um tempo para tudo, e cada coisa tem o seu tempo debaixo do céu.
Um tempo para nascer e um tempo para morrer;
um tempo para plantar e um tempo para arrancar.
Um tempo para matar e um tempo para curar;
um tempo para destruir e um tempo para construir.
Um tempo para chorar e um tempo para rir;
um tempo para o lamento e um tempo para a dança.
Um tempo para atirar pedras e um tempo para as apanhar;
um tempo para o abraço e um tempo para o soltar.
Um tempo para buscar e um tempo para perder;
um tempo para guardar e um tempo para deixar.
Um tempo para rasgar e um tempo para coser;
um tempo para calar e um tempo para falar.
Um tempo para o amor e um tempo para o ódio;
um tempo para a guerra e um tempo para a paz.
(Eclesiastes 3, 1-8)

Ao longo de quase dois anos, fui lendo os sinais (estava num posto de observação privilegiado, que me permitia ir observando do lado de fora, mas também, um pouco, do lado de dentro). Longo foi o tempo para a paciência, na expectativa de que acontecesse o que era imperativo acontecer. Depois, foi o tempo para a impaciência: não tinha sido aquilo que nos tinham prometido e tivemos que o dizer, repetidamente, até sermos escutados. Algumas coisas já mudaram, outras nem por isso. A Capital Europeia da Cultura com que sonhámos, num sonho que sei que era partilhado por muitos, já ficou para trás. Irremediavelmente. O que vamos ter em 2012 vai ser grandioso e entusiasmante, certamente, mas não vai ser a mesma coisa.

Sei bem que, muitas vezes, quando o terreno foge debaixo dos pés de quem tem as responsabilidades maiores, a corda acaba por romper para o lado mais fraco. No caso, para o lado dos responsáveis pela programação. Não quero contribuir para tal. Pela minha parte, já foi o tempo de falar, este é o tempo para o silêncio. Agora, cansado me confesso, será o tempo de não remar contra a correnteza.

As contas, essas, fazem-se no fim.
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Novais Teixeira, Menino e Moço

Joaquim Novais Teixeira

No dia 4 de Agosto de 1923, no número alusivo às festas da cidade do jornal Pro-Vimarane foi publicado um soneto de Joaquim Novais Teixeira inspirado no início da obra Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro (“Menina e moça me levaram de casa de minha mãe para muito longe.”). O poema foi enviado de Madrid e remete para a história de vida do próprio poeta.

Menino e Moço

Menino e moço, ò coração menino,
Te levaram de Casa de teus Pais…
— Floriste à luz de olhar brando e divino.
Que te olhou muito, e… nunca te olhou mais.

P'ra Longes terras foste, e o teu destino
Sabe-o Deus?...  Sabe-o ela?... Porque leis tais
Não o sei eu, ò coração franzino?
As vossas novas onde m'as levais?

Sonhaste o sol em doce primavera,
Meu coração menino, e sol não era
A graça dessas calmas enganosas…

Sorriste em flor às mãos que te acenavam,
Sonhaste o sol, Amor… as flores murchavam…
E o sol, ò coração, não seca rosas.

Madrid                        NOVAIS TEIXEIRA.

(Pro-Vimarane, 4 de Agosto de 1923)

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29 de junho de 2011

Sobre o Colégio Académico

 Anúncio publicado no jornal "Gil Vicente" entre 1918 e 1921
(clicar para ampliar)

 Anúncio publicado no jornal "Gil Vicente" em Julho e Agosto de 1921
(clicar para ampliar)

Através de anúncios publicados no jornal "Gil Vicente", sabemos que o Colégio Académico, a que nos referimos aqui, já existia em finais de 1918 e que em 1921 era apresentado como "a mais antiga casa de educação e ensino desta cidade". Estava instalado na Casa dos Coutos (actual Tribunal da Relação de Guimarães), que era apresentado como um "edifício com amplos salões para dormitórios e estudos". Funcionava em regime de internato e semi-internato. Falta saber quando começou e quando terminou. O jornal "Gil Vicente deixou de se publicar em Agosto de 1921. Nessa altura, inseria anúncios ao colégio. Depois de retomar a publicação, em 1923, não voltaram a aparecer anúncios a este estabelecimento de ensino, o que pode significar que já teria encerrado as portas.

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Largo da Misericórdia (7)

Largo da Misericórdia no início da década de 1920 (fotografia publicada no Roteiro de Guimarães de A. L. de Carvalho)

A existência de um estabelecimento de ensino chamado Colégio Académico no Largo da Misericórdia, identificado numa fotografia já aqui publicada, continua a ser, para mim, um mistério, por falta de outras notícias. Pela observação da fotografia e pela ausência de placas ajardinadas no centro do largo, foi possível datar a fotografia de data anterior a 1927. O que se avançou, até agora, apenas permitiu perceber que a fotografia (e, portanto, a existência do tal colégio) é anterior a Agosto de 1923, data em que foi publicado o Roteiro de Guimarães, de A. L. de Carvalho, onde aparece reproduzida (pág. 40).
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28 de junho de 2011

Largo da Misericórdia (6)

O Largo da Misericórdia no início do século XX. Ao fundo, a casa de torre que pertenceu a Tadeu Luís.
(clicar para ampliar)

A casa de torre que domina o topo norte do Largo da Misericórdia pertenceu a Tadeu Luís António Lopes da Fonseca Carvalho e Camões, Senhor de Abadim e Negrelos, mentor da Academia Vimaranense. Ficaram célebres as festas que ali se ofereceram. Uma delas, em que se celebravam os esponsais do Príncipe do Brasil, futuro D. José I, com a princesa das Astúrias, realizada em Fevereiro de 1728, teve direito a ficar registada num folheto com o título “Guimarães Festiva”. A festa em Guimarães durou quatro dias e o último, dia 7, correu por conta de Tadeu Luís. Vale a pena ler a notícia, tal como a deu a pena do Padre Caldas:

Toda a fachada do seu palácio - casa hoje dos Mota-Pregos, no campo da Misericórdia - e a torre, não só nas janelas, mas ainda em todo o pano da parede até ao nível da rua, se guarneceu de tochas de cera branca, e tão juntas umas das outras, que faziam uma maravilhosa e agradável perspectiva.
Todo o interior do palácio, pátio, escadas e galerias, se achava da mesma forma iluminado, excedendo só as tochas o número de mil.
O frontispício da igreja da Misericórdia transformou-se noutro de luzes de primoroso artefacto; e todas as mais casas que formam a face daquela praça, se cobriram de veludos e grisetas sem número.
Levantaram-se nos quatro cantos da praça, quatro pirâmides formadas sobre arcos, revestido tudo de encarnado e prata e adornado de vários remates e decorações. Por cada arco se entrava num bosque frondosos ramos, e de todos os quatro bosques rebentavam outras tantas fontes de excelente vinho.
No centro da praça, se erigiu um padrão sobre quatro colunas, cujos capitéis serviam de base a outras tantas pirâmides, e nestas se davam a ler as augustas ascendências dos quatro príncipes contraentes desta nova e feliz aliança das duas coroas.
Num padrão, que se levantava ainda sobre as quatro referidas pirâmides, via-se debuxada a árvore genealógica do infante D. Duarte II, duque de Guimarães, vendo-se por ela, que de um duque de Guimarães e de suas irmãs, a imperatriz D. Isabel e a duquesa de Sabóia, rainha de Chipre, D. Brites, descendiam quase todas as potências então dominantes na Europa. Debaixo desta máquina, no vão de quatro colunas, estava um boi vivo, como símbolo da paz e da abundância.
Disposto assim tudo, começou a festa pelo pomposo das galas, e como é impossível descrever a riqueza e o bom gosto de todas, em uma povoação, em que há tanta nobreza e tantos morgados ricos, faremos uma breve memória do que vestiu neste dia o autor da festa.
Vestia este uma casaca escarlate, primorosamente bordada a ouro e prata, e relevava a bordadura com alcachofras de canotilhos; e de uma véstia dum estofo coalhado de ouro brilhante, que o moderno vocabulário clama glacé. A venera da Ordem de Cristo - em que era cavaleiro professo - era de ouro guarnecida de preciosos diamantes, e da mesma matéria e guarnição a fivela, botão e presilha do chapéu, copo e guarda do espadim, e fivelas dos sapatos.
Seguiu-se um sumptuoso banquete, para o qual convidou cinquenta e seis pessoas da principal nobreza da vila, várias dignidades e cónegos, tesoureiro-mor da sé de Braga, prelados das religiões e ministros da justiça. Três vezes se cobriu a mesa; e cada uma com trinta e seis grandes pratos, todos diferentes e abundantemente providos dos manjares mais deliciosos e esquisitos. Nas duas primeiras foram os convidados servidos em prata; na terceira em porcelana do Japão e da China, durando este gostoso divertimento até o pôr do sol.
Chegada a noite passaram os hóspedes a um salão, onde na parede principal, debaixo de um decel de brocado de ouro, se viam os retratos dos quatro príncipes casados, - D. Maria Bárbara, D. Fernando, D. José e D. Maria de Bourbon.
Todas as portadas e panos dos bofetes eram de tela, e as paredes estavam guarnecidas com dez grandes e excelentes placas de prata, e outras tantas serpentinas do mesmo metal, curiosamente lavradas. Passavam de 150 as luzes, que iluminavam esta sala.
Nela se achavam juntos os famosos atletas da Academia vimaranense: e na presença de mais de trezentas pessoas, tanto eclesiásticas como seculares, se recitaram quatro orações panegíricas, e muitas poesias elegantes em várias línguas. Deu princípio a este acto académico, por uma elegante oração, o secretário da mesma academia, Amaro José de Passos, a quem o senhor de Abadim agradeceu este trabalho com um anel de diamantes e um livro histórico.
Fez o segundo panegírico o dr. Francisco Rebelo Leitão, corregedor da vila, a quem o senhor de Abadim manifestou o seu agradecimento, com um relógio e o EPITOME DA HISTÓRIA DE PORTUGAL.
Orou em terceiro lugar em língua latina correcta e elegantemente o dr. Manuel Lopes de Araújo, a quem o senhor de Abadim agradeceu com outro igual relógio e as primeiras CRÓNICAS deste reino. Recitou o quarto panegírico o mesmo senhor de Abadim, na língua castelhana, que apesar de estrangeira, nada ficou prejudicada na sua natural elegância; e foram seu prémio os frenéticos e merecidos aplausos dos sábios presentes.
Para que a dilatada lição de quatro discursos não tornasse fastidiosa aos ouvintes, se alternaram com uma serenata e uma loa, feita expressamente para aplausos dos dois régios consórcios.
Os interlocutores eram os melhores músicos conhecidos; e faziam as figuras da Fama, do Obséquio, da vila de Guimarães e dos dois coutos de Abadim e Negrelos.
O discreto do verso, o sonoro das vozes, e o ornato das figuras, conseguiram infinitos aplausos a este divertimento.
Acabado o acto académico, passou-se a outro teatro não menos divertido. Era este a mesma praça, iluminada por milhares de luzes, e povoada por seis a sete mil pessoas, que concorreram não só da vila, mas das vizinhas povoações. Iluminaram-se todas as cinco máquinas que adornavam a praça, e que pareciam outras tantas constelações: e deu-se ordem para que principiassem a correr as quatro fontes do precioso licor, entregando-se logo ao povo para ser repartido o boi que até então servia de símbolo da paz.
E como isto ainda não parecesse bastante, mandaram lançar das janelas do palácio mais de dois mil pães e vários cestos de frutas e doces, sem que a sofreguidão com que muitos ao mesmo tempo queriam apanhar, desse lugar à menor desordem ou desatenção, antes se atroavam os ares com repetidos vivas em cordial alvoroço.
Correndo-se novos bastidores, se viram logo no mesmo teatro correr fontes, encher e vazar cântaros, esgrimir montantes, circular rodas, voar girândolas, voltear serpentes, tudo de fogo de variadíssimo artifício; ao mesmo tempo que os clarins, ajustados com os atabales e hoboazes, declaravam guerra aos produtos da melancolia e aos efeitos da tristeza.
Três horas se passaram neste aprazível divertimento, que foi a manifestação mais ruidosa e brilhante, que os nossos antepassados deram da sua dedicação pelos monarcas portugueses.
Padre António José Ferreira Caldas, Guimarães - Apontamentos para a sua História, 2.ª Edição, Guimarães, CMG/SMS, 1996, parte I, pp. 225/228
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27 de junho de 2011

Largo da Misericórdia (5)

O Largo Conselheiro João Franco, já com o monumento ao antigo deputado de Guimarães, embora em lugar diferente daquele em que se encontra actualmente.
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João Franco Castelo Branco foi deputado por Guimarães desde 1884 até à extinção dos círculos uninominais, mesmo no fim do século XIX. Nos seus sucessivos mandatos, sempre defendeu os interesses de Guimarães, pelo que não admira que por aqui lhe fosse dedicado um especial afecto, mesmo entre as hostes republicanas. Em 1931, dois anos após a sua morte, iniciaram-se movimentos no sentido de lhe erguer um monumento na cidade, no largo que ostentava o seu nome. A obra foi financiada por subscrição pública e foi concebida pelo Arquitecto Marques da Silva e pelo Escultor Teixeira Lopes. Foi inaugurada em 1934, quando passavam cinquenta anos sobre a sua primeira eleição pelo círculo de Guimarães. O discurso da inauguração esteve a cargo do republicano Eduardo de Almeida, ficando para a memória esta frase:

Em Guimarães, somos todos franquistas.
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Receitas da Rainha do Mercado (10)


E aqui termina o livro de receitas da Rainha de Mercado de 1940.


20. BOLO CUBANO

Um coco bem ralado, junta-se-lhe 3 ovos batidos, 500 gramas de açúcar, canela em pó, uma colher bem cheia de manteiga, 250 gramas de farinha e sal. Vai ao forno em forma untada de manteiga e polvilhada de farinha

21. BISCOITOS DE ARARUTA

125 gramas de manteiga bem batida com 125 gramas de açúcar; deitam-se 3 gemas e duas claras em castelo e a araruta precisa para fazer os biscoitos. Polvilha-se o tabuleiro de farinha, mete-se a massa no saco e formam-se os biscoitos.
Forno quente.

22. SUSPIROS DE AMÊNDOA
690 gr. de açúcar, 460 gr. de amêndoas e 5 claras. Pisam-se as amêndoas, junta-se o açúcar e torna-se a pisar. Misturasse às claras era neve e bate-se bem. Põe-se em bolinhos, em tabuleiro polvilhado de farinha, e vai ao forno.

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26 de junho de 2011

Largo da Misericórdia (4)

O Largo da Misericórdia, algures entre o final da década de 1920 e os primeiros anos da seguinte.
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No final da década de 1920, o Largo da Misericórdia apresentava o aspecto que se vê nesta fotografia: sem árvores,com placas ajardinadas no miolo e ainda sem o monumento ao Conselheiro João Franco. Na Casa dos Coutos, já não se encontra qualquer referência ao Colégio Académico.
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Receitas da Rainha do Mercado (9)


17. SORVETE DE ANANÁS

Corta-se meio quilo de ananás aos bocadinhos. Faz-se uma calda com 300 gr. de açúcar e põe-se dentro o ananás durante 2 horas; pode levar uma colher de Kirsch. Passa-se isto pela peneira, junta-se uns quadradinhos muito pequenos de ananás e vai para a sorveteira.

18. BOLO VERMEM

460 gramas de manteiga sem sal, bate-se bem e junta-se com 8 gemas já batidas com 460 gramas de açúcar. Misturam-se 8 claras em neve, 460 gramas de farinha e 18 colheres de sopa de leite. Bate-se bem, junta-se uma colher de chá de canela e vai ao forno em forma
untada de manteiga

19. DOCE DE VIÚVA

A 460 gramas de açúcar em ponto de pingos juntam-se 9 gemas e uma colher de sopa de manteiga; leva-se ao forno para cozinhar e quando começa a juntar-se a um lado, está pronto; deita-se na compoteira
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25 de junho de 2011

Notas do 24 de Junho de 2011

Robert Scott em visita à Sociedade Martins Sarmento (20 de Julho de 2008)
(clicar para ampliar)

Ontem foi assinalado, com a solenidade usual, mais um 24 de Junho, comemorando os 883 anos da “primeira tarde portuguesa”. A cerimónia foi marcada pela entrega de medalhas de ouro da cidade a cinco personalidades de inegáveis méritos: uma figura histórica das nossas artes musicais, um jovem investigador com um extraordinário currículo internacional, uma mulher de cultura que deixou uma marca profunda em Guimarães, o Presidente do Comité Europeu de Selecção e Monitorização das Capitais Europeias da Cultura e uma ex-Ministra da Cultura. A homenagem aos distinguidos foi singela e tocante.

Foi particularmente comovente a distinção a Maria José Laranjeiro, que nos recordou o quanto nos pesa a sua ausência, num tempo tão exigente, incerto e desafiante como aquele que vive hoje a cultura em Guimarães.

As medalhas entregues a Isabel Pires de Lima e a Robert Scott assumem particular simbolismo nos dias que correm, em que tanto se discute o que irá ser a Capital Europeia da Cultura. São dois nomes que nos remetem para um tempo em que os cidadãos estavam carregados de expectativas positivas em relação ao que iria acontecer em 2012. Recordo que foi Robert Scott que notou, em Julho de 2008, quando se trabalhava no projecto de candidatura a apresentar a Bruxelas, que “em 2020, quem vier a Guimarães há-de sentir que em 2012 aconteceu aqui algo de diferente e importante”. Com uma sabedoria feita de conhecimento e de experiência, alertou-nos para o imperativo de bem aproveitar a “oportunidade fantástica” que a cidade tinha à sua frente, que lhe permitiria concretizar, em pouco tempo, um trabalho que, em circunstâncias normais, demoraria várias décadas. Não estou seguro de que o caminho que se tem seguido desde então vá na direcção para que Robert Scott apontava.

Uma nota final: ao cair da tarde de ontem não faltava quem fizesse um paralelo entre a sessão que estava a terminar e a que serviu para apresentar o esboço de programação para a CEC, que aconteceu no dia 30 de Janeiro deste ano. As semelhanças eram evidentes: muitos convidados, muito público, nem sequer faltando centenas de crianças em palco, com as respectivas famílias na sala. Desta vez, sem call-centers pagos a peso de ouro, nem serviço de pajens contratados, tudo correu sem sombra de problemas. A diferença entre ambos os momentos pode medir-se pela distância que vai entre o profissionalismo competente e o amadorismo negligente (e caro).
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Receitas da Rainha do Mercado (8)

 
14. SORVETE DE MORANGOS

Esmaga-se um quilo de morangos com 500 gr. de açúcar e passa-se pela pe­neira; junta-se o sumo de um limão e de uma laranja e 6 decilitros de água ou um pouco mais, se estiver grosso vai à sorveteira a gelar.

15. PUDIM DE OVOS

460 gr. de açúcar, uma colher de manteiga, uma dúzia de gemas de ovos. Bate-se tudo muito bem e vai numa forma bem untada de manteiga a cozer em banho Maria.

16. SOUFFLÉ COM COMPOTA

Põe-se no fundo dum prato de ir ao forno uma camada de palitos ou pão-de-ló. Rega-se com vinho do Porto. Sobre isto põe-se uma camada de compota de damasco ou qualquer outra mais bem desfeita. Deita-se por cima metade da receita do soufflé de creme.
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24 de junho de 2011

Apontamentos sobre o feriado municipal de Guimarães (2)

Cartaz do 24 de Junho de 2011, por Vasco Carneiro Bastos

[continua daqui]

As festividades do 24 de Junho, em Guimarães, assinalaram, durante a maior parte do século XX, mais a festa popular de S. João do que a Batalha de S. Mamede. Desde a década de 1930, com raras excepções, o dia 24 de Junho foi assinalado com uma cerimónia religiosa na Capela de S. Miguel do Castelo. Em 1970, a celebração de S. Mamede foi mais luzida, contando com a participação do Presidente da República, Américo Tomás. Dias depois, nas páginas do Notícias de Guimarães, defendia-se “a necessidade de se rodearem estas comemorações da magnificência que a sua importância histórica justifica, dando-lhes um carácter mais concernente com o significado de tal evento, a que se deveria associar também toda a população da nossa região, que legitimamente se orgulha da sua condição de natural da cidade Berço da Pátria”. Por essa altura, já a Câmara tinha dado conta ao Governo da sua vontade de que o 24 de Junho passasse a feriado municipal.

No dia 24 de Junho de 1972, escrevia-se no mesmo jornal: 

Quanto à legislação que regula o estabelecimento dos feriados municipais, pouco sabemos. Somos, na emergência, quase ignorantes, o que nada nos custa confessá-lo. Mas quanto a tal data festiva devida a todos os Concelhos, sabemos pelo menos, até por que a efeméride atrás referida o confirma, que, durante alongados anos, com ela ornamos, justificadamente, o Fundador do Teatro Português. Razões, com certeza, houve para que tanto deixasse de acontecer. É que se não admite a perda de certificado abonatório da tão contestada naturalidade do autor do “Auto da Alma”, sem motivo que bem o justificasse.

O certo, porém, é que o nosso Concelho não tem, ao presente, o seu Feriado Municipal. Porquê, já que tantas terras o usam com justificações da mais diversa ordem? A resposta, necessariamente, não nos cabe. E, se calhar, até não existe de modo a aceitar-se. Parece-nos, entretanto, que outro melhor dia não haverá para consumar tal comemoração do que este em que todo Portugal olha para Guimarães, venerando o nosso feito de antanho, a reconhecer que AQUI NASCEU A PÁTRIA. 

A primeira vez em que o 24 de Junho foi feriado municipal de Guimarães aconteceu em 1974, após a instauração da democracia em Portugal. Mas só a partir de 1983, ano em contaram com a presença do Presidente da República Ramalho Eanes, é que as comemorações da Batalha de S. Mamede se começaram a aproximar da solenidade que hoje lhes conhecemos.
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Receitas da Rainha do Mercado (7)


12. MANJAR BRANCO
A dois litros de leite juntam-se 500 gramas de farinha de arroz e 300 gramas de açúcar, 100 gramas de amêndoas pisadas e uma pitada de sal.

Vai ao lume a engrossar. Deita-se numa travessa ou em forminhas queimando com um ferro em brasa.

Prove e verá como é bom! Eu nunca me esqueço de si.

13. TORTA DE QUEIJO
Batem-se os ovos como para qualquer outra omeleta e deitam-se na frigideira, onde se pôs a manteiga a aquecer, deixando formar uma torta. Quando esta estiver passada, vira-se para um prato, torna-se a pôr na frigideira, polvilha-se por cima com queijo ralado e enrola-se.

No momento de servir corta-se às fatias.

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23 de junho de 2011

Apontamentos sobre o feriado municipal de Guimarães (1)

Figuras vicentinas
A possibilidade da criação de feriados municipais foi instituída por um dos primeiros decretos da República portuguesa, publicado em 12 de Outubro de 1910. Essa faculdade seria utilizada em Guimarães no início de 1913, por proposta de Mariano Felgueiras, aprovada pela Comissão Administrativa da Câmara Municipal no dia 15 de Janeiro, que aqui se transcreve:

8 de Junho, feriado camarário
Considerando que a cidade de Guimarães justamente se orgulha de ser a terra onde nasceu Gil Vicente, o insigne poeta dos Autos;
Considerando que foi em 8 de Junho de 1502 que Gil Vicente recitou, pela vez primeira, o Monólogo de um Vaqueiro, fundando assim o Teatro Português;
Considerando que tal acontecimento, devendo ser condignamente comemorado em todo o país, muito mais o deve ser no concelho de Guimarães, por ter sido um vimaranense o glorioso iniciador do Teatro Nacional;
Considerando que as Câmaras Municipais podem, pelo decreto com força de lei de 12 de Outubro de 1910, considerar feriado um dia por ano;
Considerando que neste concelho não há dia de festa tradicional e característica do Município que mereça ser considerado feriado;
Proponho que a Municipalidade de Guimarães considere feriado, dentro da área do concelho, o dia 8 de Junho de cada ano, por nesse dia passar o aniversário da fundação do teatro português pelo vimaranense Gil Vicente.
Mais proponho que, sendo aprovada esta proposta, se publique por meio de editais para conhecimento de todos os interessados.

O dia 8 de Junho seria assinalado, como feriado municipal de Guimarães,  até 1951.
[continua aqui]
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Largo da Misericórdia (3)

O Largo da Misericórdia, antes de 1927
(clicar para ampliar)

No Largo da Misericórdia funcionou a feira das alfaias agrícolas de Guimarães. O postal tintado que vai acima mostra um dia de feira na praça. É anterior a 1927, altura em que foram colocados dois canteiros no miolo do largo. O pormenor que mais chama a atenção nesta fotografia é o letreiro que aparece do lado direito, na Casa dos Coutos (hoje Tribunal da Relação), onde se lê:

COLÉGIO ACADÉMICO
Instrução Primária -  Secundária
COMERCIAL

Pormenor da fotografia anterior.

Desconheço quaisquer referências a este estabelecimento de ensino.
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Receitas da Rainha do Mercado (6)


Mais uma receita e dois conselhos.

11. BOLO AMARELO

8 ovos, igual peso de açúcar e metade de peso de farinha.

Bate-se durante 20 minutos, o açúcar com as gemas.

Em seguida, juntam-se as claras batidas em nuvem, deita-se a farinha a pouco e pouco e vai ao forno.

Este bolo pode levar recheio e ser coberto.

*
A lavagem de loiças deve fazer-se primeiro com um pincel que arrasta os restos de comidas, depois com água quente e sabão, depois com água quente limpa.

Para poupar tempo e trabalho só se limpa a loiça depois de muito bem escorrida.
*
As cascas de laranjas secas são boas para acender os lumes de carvão.

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22 de junho de 2011

Largo da Misericórdia (2)

O Largo da Misericórdia, provavelmente na década de 1910.
(clicar para ampliar)

Em Abril de 1915, o Comércio de Guimarães dava conta de queixas, aliás recorrentes, de que, na cidade, “a erva é tanta, e tão espessa, que há ruas onde o gado pode pastar!”. O Largo da Misericórdia encontrava-se entre esses espaços que podiam servir para pasto de animais. A foto acima demonstra que servia mesmo...
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Receitas da Rainha do Mercado (5)


9. ESTRELINHAS
500 gramas de farinha.
500 gramas de açúcar.
250 gramas de manteiga.
2 ovos.
Uma pitada de canela.

Amassa-se tudo, até se poder estender com o rolo. Depois, corta-se com uma forma em feitio de estrela. Vão ao forno em latas untadas de manteiga. Logo que se tirem do forno, cobrem-se com açúcar areado.

9. BISCOITOS
450 gramas de açúcar.
3 claras de ovos.
Raspas de limão.

Tudo bem batido, misturando-se-lhe, pouco mais ou menos, 450 gramas de farinha, tendem-se fininhos. Devem ser muito bem amassados e vão ao forno.
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21 de junho de 2011

Receitas da Rainha do Mercado (4)


Mais duas receitas, e três conselhos práticos:

7. BOLO DE PRATA
750 gramas de farinha
500 gramas de açúcar
24 claras
400 gramas de manteiga
1 limão ralado
noz moscada.

Bate-se primeiro a manteiga com o açúcar, depois de bem batido, juntam-se as claras a pouco e pouco, e por último, a farinha.

Deita-se na forma untada com manteiga.

8. PÃO-DE-LÓ DO CÉU
Tratem de pôr um aventalinho primeiro que tudo, para se não enodoarem. Depois vão buscar dois ovos, duas colheres de sopa de açúcar, uma e meia de Farinha e raspa de limão.

Principiam por bater o açúcar com as gemas juntando-lhes as claras depois de bem batidas em castelo. Mistura-se isto tudo muito bem, batendo sempre para o mesmo lado. Por fim juntam-lhes a farinha e a raspa do limão, batendo mais um quarto de hora. É ou não fácil? Tenho a certeza de que se o fizerem uma vez, no dia seguinte é a mãezinha que o vai bater mas com as doses dobradas para todos provarem esta delícia.


CONSELHOS ÀS COZINHEIRAS
A salsa, coentros, pimpinela e aipo cortam-se mais rapidamente com uma tesoura.
*
As cenouras raspam-se depressa e bem utilizando uma escova de arame.
*
Sobre bolos e outras comidas que se cozem no forno deve pôr-se um papel vegetal untado com manteiga. Permite que fique aloirado sem se queimar o prato que se cozinha. Este processo serve também para as aves.
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20 de junho de 2011

Receitas da Rainha do Mercado (3)

 [Clicar, para ampliar e ler]

Mais duas receitas da Rainha. Uma delas não é de doces, ao contrário do que o livro anuncia:


5. SOUFFLÉ DE QUEIJO
50 gr. de manteiga, 50 gr. de queijo, 50 gr. de farinha, ½ litro de leite, 4 ovos, sal e pimenta.
Fazer um molho de Bechamel espesso com manteiga, farinha e leite.

Amornar, juntar gemas de ovos e queijo, bater bem; juntar as claras em neve muito duras. Unta-se um prato de ir ao forno e põe-se a preparação.
Vai ao forno quente cerca de 20 minutos. Servir imediatamente.


6. FARÓFIAS
½ litro de leite, 4 gemas, 4 claras e 4 colheres de sopa de açúcar.

Batem-se as claras em neve bem dura, deixa-se ferver o leite e deitam-se as claras às colheres dentro do leite para cozerem.

Vão-se depois colocando em monte numa travessa.

Batem-se então as 4 gemas com o açúcar, deita-se-lhe o leite e vai ao lume para engrossar sem ferver.

Deita-se então este creme em volta das claras.
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