30 de maio de 2011

A mentira tem pernas curtas

Aspecto do troço da actual rua da Rainha, que antigamente se designava por rua dos Mercadores.
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Na história de uma cidade não faltam casos de trapaceiros ardilosos e de vendedores de banha da cobra que se aproveitam da boa fé e da credulidade das suas vítimas para fazerem vingar as imposturas que engendram, muitas vezes movidos por um instinto de sobrevivência bastante sinuoso. Valem-se, acima de tudo, do poder da palavra, que sabem usar com a cadência e a entoação adequadas, com tais manhas e artifícios que são capazes de dar realidade à mais mirabolante das invenções: empregam a mentira com tal mestria que, mesmo quando posta a descoberto, ainda haverá quem continue a garantir que as patranhas que inventaram são a mais pura das verdades.

Um exemplo disto aconteceu em Guimarães há 175 anos, no longínquo mês de Março de 1836. Conta o cónego Pereira Lopes, tal como foi reproduzido pelo incansável paleógrafo João Lopes de Faria, que na então rua dos Mercadores, correspondente hoje à parte da rua da Rainha que desemboca na Praça da Oliveira, vivia uma viúva, desgostosa pela ausência do seu finado marido, a quem apareceu um caseiro de uma das suas quintas, afirmando “que tinha em si metida a alma do defunto Francisco Areias, seu senhorio, e que queria vir a sua casa para mandar fazer algumas restituições”. Foi acolhido pela viúva e pelo seu filho que, convencidos pela lábia do caseiro, o hospedaram em casa, “tratando-o muito bem”. O caseiro que dizia trazer no corpo a alma do finado Areias, deu de começar a distribuir a sua herança, beneficiando quem bem entendeu, chegando a incluir na sua liberalidade a Santa Casa de Misericórdia desta vila.

O escrivão de justiça José de Sousa Bandeira, que ficou nos anais como jornalista de pena mordaz e certeira (foi o mentor do primeiro jornal de Guimarães, o Azemel Vimaranense), foi a casa da tal viúva em diligência, com o propósito de interrogar aquele que dizia que falava pela sua voz o extinto Francisco Areias. Bastaram umas quantas perguntas para Bandeira constatar que estava perante um refinado intrujão, levando-o a ferros para a cadeia da vila. Quem ficou inconsolável foi a viúva, “por lho tirarem de casa e o levarem preso, indicando ainda mais por este facto, que ela estava persuadida de que a alma do seu defunto marido estava dentro do corpo do caseiro”.

Pois é, pode não parecer, mas a mentira tem pernas curtas...
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O Toural em imagens - Detalhes (10)

A antiga Casa High-Life, que se situava na esquina do Toural com a Rua de Santo António, onde actualmente está a Tope 4. Fotografia de 1920.
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“Na outra esquina o “High-Life” do Gonçalves, que era cunhado do Padre Roriz, com estabelecimento de modas e chapéus, no tempo em que toda a senhora não saía de casa sem chapéu.”
[in Coronel António de Quadros Flores, Guimarães na última quadra do romantismo, 1898-1918, Tipografia Ideal, 1967, cap. XVIII, pág. 57]


Anúncio da Casa High-Life publicado no jornal Vimaranense, em 9 de Fevereiro de 1916.
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29 de maio de 2011

O Toural em imagens - Detalhes (9)

O lado nascente do Toural numa imagem do início do século XX.
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A muralha que circundava o velho burgo de Guimarães delimitou a praça do Toural até ao final do século XVIII, na sua frente voltada para o Nascente. Do lado do Norte, estava a Torre de S. Domingos ou da Senhora da Piedade, por cujo interior se abria a Porta da Vila. Do outro lado da Praça, abria-se a Porta Nova ou de S. Tiago.

Em 1793, a Rainha D. Maria I ordenou a demolição da velha muralha, para que os moradores da rua da Arrochela pudessem “puxar” as suas casas para o lado do Toural, mas sem diminuir ao tamanho da praça. Para permitir que os novos edifícios fossem alinhados em linha recta, foi autorizada a demolição da Torre da Senhora da Piedade. O projecto para as novas edificações terá sido remetido de Lisboa, sendo evidentes as suas afinidades com a arquitectura pombalina. Completada a obra, o lado nascente do Toural afigura-se, como o descreveu o Padre António Caldas, a “um só edifício regular e simétrico, de quarenta e quatro portas e cento e vinte e cinco janelas”.

Não ficou memória visual do frontão que se levantou no centro deste conjunto de edifícios, em cujo vértice assentava uma estátua de grandes dimensões, representando a Fama, com o seu clarim de metal. Segundo o Padre Caldas, frontão e estátua terão sido retirados “porque o seu peso considerável ia fazendo afastar as paredes da linha de prumo”-
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28 de maio de 2011

O Toural em imagens - Detalhes (8)

 O lado Norte do Toural, numa fotografia de meados do séc. XX.
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A frente do Toural do lado do Norte era, antigamente, tal como a do poente, ocupada por casas com alpendradas viradas para a praça, que foram desaparecendo. Em 1869, aconteceu aqui um dos mais pavorosos incêndios de que há memória em Guimarães. Eclodiu num estabelecimento de João José de Sousa Aguiar, que funcionava como armazém de fazendas, molhados e materiais inflamáveis, e também como fábrica de refinação de açúcar. Todos os edifícios deste lado do Toural ficaram destruídos, com excepção do que faz esquina morreram neste incêndio (confirmaram-se quatro mortos, mas é possível que tenham sido mais). Feridos graves foram para cima de duas dezenas (o total de sinistrados pode ter atingido, segundo alguns relatos, as centenas).


Depois do incêndio, chegou a ser proposta a expropriação de parte do terreno das casas ardidas, para alargamento da Praça do Toural, alinhando as casas a construir pela esquina da Porta da Vila. Os edifícios que agora fecham o Toural do lado do Norte resultaram são, com excepção do que escapou ao incêndio de 1869, edificações posteriores àquele desastre. No edifício que se destaca com as suas duas clarabóias, funcionaram uma mercearia e um armazém, continuadores do estabelecimento que ardeu em 1869. Não conhecemos imagens que mostrem o aspecto anterior deste lado da praça.
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27 de maio de 2011

O Toural em imagens - Detalhes (7)

O palacete do fidalgo do Toural, numa fotografia tirada durante as Gualterianas de 1906.

A frente do Toural do lado do Poente contrasta com a regularidade do conjunto edificado do lado do Nascente. Antigamente, havia daquele lado um corrente de casas sobradadas com alpendres virados para a praça. Parte dessas casas começaram a desaparecer, ainda no século XVIII, para a edificação da futura Basílica de S. Pedro. Outras foram tomadas, a partir de meados do mesmo século, para a construção de um palacete que o povo viria a conhecer como a “casa do fidalgo do Toural”. O fidalgo era Jerónimo Vaz da Silva Vieira e Alvim, então titular morgado do Toural, conhecido pelas suas ideias liberais. O seu filho, António Vaz Vieira de Melo Alvim, também se envolveu intensamente na vida política local. O último morgado do Toural, João António, ficaria conhecido como músico que dirigia orquestra com uma batuta de prata, tendo vivido rodeado de fausto e ostentação, do que muito se ressentiu o património da família, já irremediavelmente depauperado nas gerações anteriores. A casa seria levada à praça em 1878, numa execução judicial a favor do Banco de Guimarães.

Note-se na fotografia acima o desalinhamento do palacete do Toural com a casa que lhe fica ao lado que, mais tarde, viria a ser corrigido.

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26 de maio de 2011

O Toural em imagens - Detalhes (6)

Edifício da esquina do Toural com a rua de D. João I, em fotografia de 1915.
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A Confeitaria Parisiense, de Domingos Vinagreiro & Filhos ocupava o edifício onde posteriormente se instalou o Banco Nacional Ultramarino, actualmente em obras para a instalação de um hotel. Este prédio tem, actualmente, a curiosidade de, com excepção de parte do rés-do-chão, ter a sua fachada em cimento a fingir granito lavrado.
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24 de maio de 2011

O Toural em imagens - Detalhes (5)

O Hotel do Toural, no início do séc. XX
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O Grande Hotel do Toural foi inaugurado em Outubro de 1886, sendo seu fundador Joaquim José Pereira. Era um dos melhores hotéis, se não o melhor, de Guimarães. Encerrou em 1926, pouco depois da inauguração do célebre Café Oriental. Nos anos que se seguiriam, voltaria a ser reaberto e encerrado, várias vezes. Nas últimas obras de que foi objecto, retiraram-lhe a entrada pela praça do Toural.

Muito do que de mais importante aconteceu em Guimarães nos últimos anos da monarquia e na Primeira República passou pelo Hotel do Toural.
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Má onda


O problema não são as notícias, mas os factos que estão por trás delas. Não adianta tentar suprimir a mensagem, nem fazer tiro ao alvo ao mensageiro. É urgente acabar com a razão de ser destas notícias, que ameaçam envenenar irreversivelmente um tempo que devia ser de celebração colectiva. Estamos cansados. Já basta.
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22 de maio de 2011

Esclarecendo


Logo divulgado aqui, feliz na ilustração do infeliz estado de coisas da relação da CEC com  cidade e os cidadãos.


1. Quando tomei conhecimento da adjudicação de que se fala, alertado pelo insólito da entidade beneficiária da adjudicação e pelo inusitado do valor em causa, tomei a iniciativa de solicitar esclarecimentos à primeira responsável da Fundação Cidade de Guimarães. Esta minha diligência não tinha como propósito “encostar à parede” a Presidente da FCG, mas apenas tentar afastar as dúvidas que a situação me suscitava e, ao mesmo tempo, alertar os responsáveis para um problema potencialmente explosivo.

2. Recebi prontamente esclarecimentos, que me suscitaram novas dúvidas. Tendo colocado, sucessivamente as minhas interrogações, fui recebendo, em resposta, novas explicações, que não coincidiam com as anteriores e que em nada contribuíram para o meu esclarecimento, antes pelo contrário.

3. Da leitura das explicações que me foram dadas, percebo que, neste processo, alguém terá faltado à verdade.

4. Fiquei profundamente desiludido com o modo como o CA da FCG agiu em relação a este assunto. Em vez de o esclarecer, como eu julgava que se impunha, optou por seguir pela via do facto consumado, antecipando a divulgação pública do espectáculo, de modo a sobrepor o seu anúncio ao ruído que poderia suscitar a especulação pública em volta dos aspectos menos claros da sua adjudicação.

À falta de esclarecimentos convincentes, que competem ao CA da FCG, vai fazendo o seu caminho a convicção de que esta adjudicação terá sido feita ao arrepio da transparência, da ética e da salvaguarda do interesse público. O que em nada contribui para a saúde da relação da CEC com os cidadãos.
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21 de maio de 2011

O Toural em imagens - Detalhes (4)


O edifício do Luisinho das máquinas, durante exercícios dos Bombeiros no ano de 1908.
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No local onde hoje se encontra o edifício da Caixa Geral de Depósitos (lado sul-poente do Toural) estava, no início do século XX um edifício que se destacava pelas suas dimensões. Por ser considerado, segundo o Coronel Quadros Flores, “a casa mais alta da cidade” (o que não me parece que corresponderia totalmente à verdade), na sua fachada costumavam realizar-se as exibições dos Bombeiros Voluntários, que eram uma das principais atracções das ocasiões festivas. Esse edifício pertencia a Luís Gonçalves Basto e vendia, entre outras mercadorias, máquinas de costura, de cujo comércio lhe veio o nome por que era conhecido das gentes da terra: Luisinho das Máquinas.

Mais tarde, passou a funcionar neste edifício a Casa dos Enxovais, da firma Teixeira de Abreu, Lda, o Abreu dos Linhos.

Este edifício foi demolido, assim como as casas adjacentes, depois de 1955, por se ter decidido que a agência de Guimarães da Caixa Geral de Depósitos seria instalada naquele local, num novo edifício a construir de raiz, que seria inaugurado no 24 de Junho de 1960.

Nesta imagem, pode ver-se o letreiro com a indicação "Machinas de Costura".
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O mesmo edifício, no tempo da Casa dos Enxovais.
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20 de maio de 2011

Do que falamos, quando falamos de envolvimento dos cidadãos



Já conhecia outra versão do vídeo que vai aí acima, que me chegou agora por correio electrónico, editada por mão amiga que assim quis dar o seu contributo para a discussão em curso acerca do envolvimento (ou da sua falta) dos cidadãos na construção da Capital Europeia da Cultura. Para o legendar, não conheço melhor texto do que o que o meu amigo Fernando José Teixeira escreveu, recuperando as suas memórias de infância. Aqui fica:

A reconstrução da tourada


Um dos episódios mais marcantes da minha meninice, que vive na memória dos vimaranenses, foi o do incêndio da Praça de Touros. Já lá vão mais de 60 anos: como o tempo passa! Aconteceu na madrugada de segunda-feira, dia 29 de Julho de 1947. A minha memória retém alguns pormenores, e desses, a maioria refere-se ao ambiente que então se viveu no Toural, onde se ouvia o carrilhão da torre da basílica de S. Pedro tocando vezes sem conta o "Hino da Cidade", galvanizando a população, coadjuvado pela cabina de som, através da qual se faziam apelos insistentes pedindo a colaboração de todos os vimaranenses para que, nos poucos dias que faltavam para as Festas Gualterianas, se levantasse uma nova Praça de Touros.

Essa cabine do som, dirigida por José Abílio Gouveia, desempenhou um papel fundamenta na epopeia que se viveu. E os obreiros foram abastecidos de tudo o necessário: madeiras, maquinaria, géneros alimentícios, tudo. Como escreveu o “Notícias de Guimarães” de 3 de Agosto:


Dezenas e dezenas de veículos estiveram nestes cinco dias ao serviço de Guimarães. Pelos alto falantes da “Cabina de Som” pedia-se um carro para um serviço e ele aparecia imediatamente; pedia-se gasolina, ferramentas, um motor, qualquer coisa, enfim, e seria desnecessário pedir segunda vez...Os alto falantes trabalhavam todo o dia. Até um conhecido professor, pessoa de responsabilidade no meio, querendo também comparticipar do esforço heróico da gente da terra, se prontificou a substituir durante dois dias seguidos um locutor que estava já exausto...”


O Toural, nesses dias mágicos, foi o centro de operações pois tudo por lá passava: as ofertas dos ricos e dos pobres, as grandes e as pequenas coisas que iam faltando para que a obra se desenvolvesse em entraves. Por isso, o Toural regurgitava de gente, como se fosse manhã de domingo: todos queriam estar presentes e ver com os próprios olhos o milagre da vontade do nosso povo.

Quando recordo essas tardes, parece-me ouvir nos alto-falantes do Toural, além dos pasodobles anunciadores das touradas, e julgo ver, ao pé do Abreu dos Linhos, o homem dos sorvetes a aviar os seus barquinhos de gelado com um gostinho a baunilha que ainda sinto na boca. E recordo nitidamente a passagem dos táxis pelo Toural, vindos da Pensão de Guimarães, em Trás-os-Oleiros, das cuadrilhas, em traje de luces, que iriam actuar na nova praça de touros que os vimaranenses criaram em meia dúzia de dias...


[Fernando José Teixeira, Histórias à volta do Toural, Guimarães, 2008, págs. 160-161]
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18 de maio de 2011

À deriva


No dia 29 de Março, o Conselho Geral da Fundação Cidade de Guimarães, depois de fazer a avaliação da situação da preparação da Capital Europeia da Cultura, recomendou o respectivo Conselho de Administração que “prestasse especial atenção aos temas da comunicação e do envolvimento da cidade e das suas instituições” e promovesse “uma reflexão estratégica com vista a adoptar práticas que permitam uma ligação reforçada entre a CEC2012 e os agentes culturais, económicos e sociais de Guimarães e da região, que procure melhorar a articulação com o Ministério da Cultura e que faça o necessário para projectar de forma continuada e activa, nacional e internacionalmente, a CEC 2012”. Foi anunciado, pelo Conselho de Administração, que a reflexão recomendada já estava em curso e que “dentro de duas semanas” teríamos conclusões.

Cinquenta dias são passados sobre aquela data.

E nada aconteceu.

Um nada que está carregado de sinais inquietantes.

Na comunicação, o que estava mal continua mal, ou pior. De consequências das críticas do Conselho Geral, nem indícios. De preocupação com a ligação com a cidade e com o envolvimento dos cidadãos, nem um sinal, excepto palavras inconsequentes e iniciativas avulsas, mal amanhadas e mal negociadas.

A última machadada na confiança dos que ainda acreditavam que, com esta Fundação Cidade de Guimarães, era possível termos uma Capital Europeia da Cultura que não nos envergonhasse e que cumprisse os objectivos mínimos das expectativas que nos foram criadas, é a notícia que hoje vai correndo por aí: está consumada a demissão do Director de Projecto, peça chave no processo de concepção e desenvolvimento do programa cultural para Guimarães 2012. O que fica? Fica um grupo de programadores que trabalham em circuito fechado. Fica uma estrutura inorgânica, composta por peças desagregadas, a que falta a perspectiva de conjunto que permita perceber que as partes dão forma a um todo congruente e harmónico.

Uma Capital Europeia da Cultura não se constrói assim.

O barco vai à deriva, sem rumo certo, anunciando-se o afundamento. O problema já se percebeu onde está. Está na sala de comando, onde, apesar dos avisos, quem comanda, não vê, nem ouve. Mas fala: cada vez mais distante da realidade, vai explicando, com eloquência e vazio, que a sombra que se aproxima, não é o abismo que todos adivinham, mas o sol radioso da terra prometida, que ninguém mais enxerga.

E nós? Ficamos a ver o naufrágio acontecer?
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O Toural em imagens - Detalhes (3)


A Basílica imperfeita do Toural, numa fotografia da década de 1950.
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Iniciadas no último quartel do século XVIII, as obras da igreja de S. Pedro do Toural estiveram interrompidas entre 1824 e 1880. O frontão triangular da fachada foi concluído em 1884, ano em que se colocou no seu vértice a cruz pontifical (a tiara papal que aparece no brasão abaixo da cruz fora incrustado no ano anterior). A torre foi erguida no final do século XIX e ficou, para a eternidade, sem o seu par. Nas quatro faces torre, foram abertos os óculos para o relógio, que tardaria em ser lá colocado. Em 1915 chegou a haver uma subscrição pública para a sua aquisição. Porém, em 1928, continuava a faltar, sendo grande a falta que fazia, uma vez que o relógio municipal estava a distância significativa, na Praça da Oliveira. Ainda tardaria mais dez anos até que, por iniciativa municipal, fosse instalado o relógio-carrilhão da torre de S. Pedro, com os seus quatro mostradores.

A igreja de S. Pedro do Toural numa fotografia anterior a 1863. Note-se a ausência de torres.
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A Basílica, durante exercícios dos Bombeiros no ano de 1908. Repare-se na ausência do relógio.
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17 de maio de 2011

O Toural em imagens - Detalhes (2)

O Toural, durante as festas Gualterianas, no primeiro quartel do séc. XX. Repare-se no desnível dos edifício em primeiro plano, à direita, em relação ao chão da praça.
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Embora não seja completamente perceptível a olho nu, há um desnível acentuado entre a cota baixa do Toural, do lado da igreja de S. Pedro, e a cota alta, do lado do Hotel do Toural. Neste lado, por onde antigamente passava a muralha de Guimarães, havia vários degraus de escada. Aquando da construção dos edifícios que se distribuem por aquela frente, os degraus foram eliminados, tendo as soleiras das portas sido colocadas ao nível do terreiro. A excepção foram os edifícios mais a sul, cujos pisos inferiores ficaram, nas suas frentes voltadas para o Toural, bastante acima do passeio, sendo impraticável entrar por esse lado, pelo que as respectivas entradas se situavam do lado da rua da Arrochela. Só no final da década de 1920, por iniciativa da Câmara e às suas custas, é que as lojas destes edifícios foram rebaixadas até ao nível do passeio.

Pormenor de uma fotografia do Toural de meados do século XIX, onde são perceptíveis diferentes cotas entre o terreiro e as soleiras das casas.
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16 de maio de 2011

O Toural em imagens - Detalhes (1)

O Toural, lado poente, na direcção da rua de Paio Galvão. Ao fundo do passeio à esquerda, a bomba de gasolina do Vinagreiro.
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Nas décadas de 1920 e 1930, havia no Toural, do lado poente, perto da rua de D. João, uma bomba de gasolina da Auto-Gazo, que era a distribuidora de combustível para automóveis  daquele tempo. Era a bomba do Vinagreiro.

Em 1940 foi colocado no centro do Toural uma outra bomba de gasolina, que foi retirada em 1955, dando lugar a um polícia-sinaleiro. No Toural esteve instalado outro posto de abastecimento de combustível, em frente ao Café Mourão. Era da BP e foi mandado retirar em 1966.

Automóvel sendo abastecido na bomba do Vinagreiro.
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O Toural na segunda metade da década de 1950. Em primeiro plano, debaixo do guarda-sol, o polícia-sinaleiro.
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15 de maio de 2011

Menos freguesias?


Guimarães, em imagem de satélite recente (obtida aqui)
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Nos últimos tempos, antes e depois da troika, a reorganização administrativa do país passou a fazer parte da agenda nacional. Não faltam vozes que defendem a redução do número de concelhos e de freguesias. Por mim, não vejo que viesse mal ao mundo se também se extinguissem os distritos (e não apenas os Governos Civis), por não perceber bem para que servem.

A actual ordenação administrativa do território português, dividido em distritos, freguesias e concelhos, data de 1835, com muito poucas alterações desde então. Ao longo de quase um século e meio, muito mudou e é natural que se repense se o modelo instaurado pelo triunfo do liberalismo em Portugal será o mais adequado à realidade presente. Talvez não seja, mas todos sabemos que mexer na organização concelhia, reduzindo o número de concelhos, será o mesmo que revolver um vespeiro. Os nossos concelhos têm conseguido resistir ao tempo e a sucessivas tentativas para os reformar. E tal resistência explica-se por constituírem, quase todos, realidades sólidas, construídas ao longo de séculos, com forte identificação das suas populações. Por aqui, se a identidade regional, se existe, é frágil e se a identidade distrital está ausente, a identidade concelhia é muito viva e marcada.

Qualquer tentativa para avançar com uma reorganização do território que pressuponha a extinção de concelhos esbarrará com uma forte resistência local. Já ao nível das freguesias, pelo menos em espaço urbano, poderá ser diferente. O recente exemplo de Lisboa mostra-nos que não só é possível, como pode ser recomendável. A esse nível, Guimarães será um caso bastante peculiar: tem, manifestamente, freguesias a mais. A simples racionalidade recomendaria uma redução do seu número, mas falta saber quais as freguesias que iriam desaparecer, fundindo-se com outras. E esta dificuldade vai crescendo à medida que nos afastamos do centro urbano. Porém, a realidade actual da sede do concelho é, na minha opinião, diferente.

Nos tempos que correm, quem vive na cidade não percebe bem para que possa servir uma Junta de Freguesia. E muito menos perceberá para que servem três Juntas de Freguesia a partilharem um espaço tão próximo. A visibilidade do trabalho das Juntas, por muito competentes e dedicadas que sejam as pessoas que se devotam a esta causa, é muito reduzida, uma vez que, no território urbano, praticamente tudo o que diz respeito à gestão do espaço público é assegurado pela Câmara Municipal. Por outro lado, numa cidade como Guimarães, a distribuição pelo território das freguesias urbanas, obedecendo à lógica das construções históricas, não obedece a qualquer critério de necessidade objectiva e de adequação à realidade contemporânea. O que é certo é que, quando se percorrem as ruas da cidade, não se percebe a que freguesia possa pertencer o chão que se pisa.

A demonstração mais eloquente da falta de sentido para a existência de três freguesias no centro urbano vimaranense, resulta do facto de as respectivas Juntas terem procedido, há muito, à concentração dos seus serviços num único espaço, com objectivos de racionalização de custos. Esta concentração é compreensível, o que pode não ser compreensível é que, podendo funcionar bem como se fossem apenas uma, continuem a ser três.

Com a fusão das três freguesias do centro urbano de Guimarães (Oliveira, S. Paio, S. Sebastião) e com uma eventual redefinição dos limites das freguesias confinantes, pode ser que nem se ganhe muito. Mas não se perderia nada.

Este é um debate para os tempos que se avizinham.

Publicado em O Povo de Guimarães, de 13 de Maio de 2011
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14 de maio de 2011

O Toural em imagens (17)

O Toural, numa fotografia da década de 1970.
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A última alteração significativa do Toural, antes das obras agora em curso, ocorreu na viragem dos anos setenta para os anos oitenta do século passado. Até essa altura, havia duas faixas de rodagem, com um separador central, a ligarem o lado poente ao lado nascente da praça. O jardim foi então "esticado" em direcção ao sul. No espaço resultante desse alargamento, seriam colocadas duas cabinas telefónicas com um "look" londrino. O desenho do mosaico foi adaptado à nova configuração, mudando de lugar a palavra "Lisboa", então deslocada para o novo limite do jardim do lado do sul.

E foi assim que o Toural se aproximou da forma canónica de "jardim do bacalhau".


O Toural, em imagem de satélite recente (obtida aqui)
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13 de maio de 2011

O Toural em imagens (16)

O jardim do Toural, depois da remodelação de 1954.
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Em Março de 1954, a Câmara aprovou um projecto de renovação do jardim do Toural, para o tornar mais digno da principal praça da cidade. Os trabalhos ficaram concluídos em Agosto. Entre outros trabalhos de ajardinamento, foram plantadas novas árvores, não no interior dos canteiros, como as que lá estavam antes, mas nos passeios que marginam a placa do jardim. Quando as árvores cresceram, o Toural ficou com o aspecto que, no essencial, se manteve praticamente até ao início das obras actualmente em curso. As mudanças mais visíveis que ocorreram desde meados da década de 1950 tiveram a ver com a circulação do trânsito, afectando especialmente o lado voltado a sul da praça.

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12 de maio de 2011

O Toural em imagens (15)

A fonte monumental do Toural, inaugurada em 1953, no lugar onde antes estivera o monumento a D. Afonso Henriques.
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Em 1953, ano da comemoração do centenário da elevação de Guimarães a cidade, foi colocada no centro do jardim do Toural  a fonte monumental concebida pelo Arquitecto Sequeira Braga, onde se destacam dois elementos: um obelisco "sugerindo na sua forma um montante", e uma estátua, feminina, "simbolizando a vitória ou independência". A estátua é da autoria do escultor Eduardo Tavares.
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11 de maio de 2011

O Toural em imagens (14)

O Toural entre 1940 e 1950.
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Com a retirada do monumento a D. Afonso Henriques, o Toural ficou vazio. Em 1942, foi arranjado,  colocando-se guias de pedra nos canteiros e tratando-se do seu ajardinamento. Entretanto, discutia-se o que fazer para voltar a encher a praça (que, entretanto, em 1938, se vai deixar de denominar de Praça D. Afonso Henriques, para voltar oficialmente à designação pela qual o povo sempre a nomeou: Praça do Toural): um monumento a S. Dâmaso, o regresso do chafariz, uma estátua de Gil Vicente, um obelisco, uma fonte monumental. Em 1950,  câmara deliberou que se erigiria uma estátua a Gil Vicente, que não se concretizaria, por se concluir que não havia meios para financiar uma obra com a monumentalidade pretendida. Assim sendo, em Fevereiro de 1952, a Câmara encomendou ao vimaranense José António Sequeira Braga, arquitecto e professor da Escola de Belas Artes do Porto, o projecto para uma fonte monumental, a colocar no jardim do Toural.
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10 de maio de 2011

O Toural em imagens (13)

O monumento a D. Afonso Henriques, no Toural.
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Levantamento do monumento a D. Afonso Henriques, para o transportar para a colina do Castelo (maio de 19409.
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Em 1940, no quadro da comemoração dos centenários, procedeu-se ao aformoseamento da zona do Castelo, da Capela de S. Miguel e do Paço dos Duques, baptizada como Colina Sagrada. No contexto desta intervenção, em que se acentuou naquele local a presença dos elementos materiais e simbólicos associados à fundação da nacionalidade, concretizou-se a tão falada transferência da estátua a D. Afonso Henriques, que se concretizaria, perante a curiosidade geral, em Maio daquele ano. A praça ficava vazia, estando em curso a discussão sobre o que colocar no coração da Praça D. Afonso Henriques. Havia quem defendesse que o lugar deixado vago pela estátua afonsina deveria ser ocupado por um monumento a S. Dâmaso. A Comissão de Estética, criada pela Câmara Municipal deliberou, na sua primeira reunião, realizada um ano antes da transferência da estátua, a devolução à praça do chafariz quinhentista, que tinha sido trasladado para o Largo Martins Sarmento, o que não se concretizaria.

Note-se que o que foi transferido para a colina do Castelo foi apenas a estátua. O pedestal de mármore, também concebido por Soares dos Reis para integrar o monumento inaugurado em 1887, foi substituído por um novo, em granito. Desconheço o destino do pedestal original.
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9 de maio de 2011

O Toural em imagens (12)

 O Toural no início da década de 1930 (sem árvores).
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O Toural na década de 1930 (já com árvores).
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As últimas palmeiras “republicanas” do Toural acabariam por ser cortadas. Ficou o Toural sem sombra de árvores, de novo. Mas não por muito tempo: ali seriam plantadas novas árvores, colocadas no interior dos quatro canteiros que davam forma ao jardim, emoldurando a estátua de Afonso Henriques. Entretanto, à medida que a década de 1930 ia avançando, começava-se a falar na possibilidade de retirar o monumento do rei fundador, para ser transplantado para junto do Castelo. Estava-se em vésperas de nova mexida na sala de visitas de Guimarães. Que, como sempre, envolverá alguma polémica.
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8 de maio de 2011

O Toural em imagens (11)

O Toural em 1929
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Entre finais de 1928 e meados de 1929, o Toural vai passar por nova transformação. No meio de acesa polémica, foi aplicado o mosaico do Toural, desenhado pelo Capitão Luís de Pina. Logo de seguida, a pedido dos moradores, foram derrubadas as árvores. Apenas se salvaram duas palmeiras que ladeavam as costas da estátua de D. Afonso Henriques (na imprensa de Guimarães, pediu-se que também fossem abatidas). Pela fotografia acima, é visível que, podendo ter ficado mais agreste e sem sombras, por falta das árvores, o Toural ganhou dimensão, permitindo uma melhor leitura do conjunto da praça e do desenho do mosaico que passou a cobrir o chão do jardim.
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7 de maio de 2011

O Toural em imagens (10)

 
  
Nas fotografias acima, datadas do tempo que decorre entre 1911 e 1928, observa-se o crescimento das árvores que a República colocou no Toural.
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Um dos assuntos de discussão relacionados com o Toural que mais paixão tem gerado é o das árvores (ou da falta delas) do jardim. Inicialmente o Toural era um campo ou um terreiro, sem jardim, nem árvores. Em 1859, foi decidido plantar aí árvores de recreio. Foram derrubadas em 1874, para se implantar o jardim público. Ouviram-se então acusações de que teria sido perpetrado um arboricídio. Em 1878, foram novamente plantadas árvores, de diferentes espécies, que se foram buscar ao Porto (tal como o desenho do jardim). No espaço do jardim, de planta rectangular, o arvoredo passou a dominar. O desmantelamento do jardim fechado, em 1911, levou à retirada das árvores. O jardim passou a ter novo desenho, com quatro canteiros, onde foram plantadas novas árvores e palmeiras, que tardaram a crescer. Em 1929, circulou um abaixo assinado de moradores que pediam a remoção ou corte das árvores que circundam a mesma Praça, visto que da péssima educação e irregularidade delas resulta uma má impressão e prejudica a estética e natural beleza da praça, que é digna de ser amplamente vista e admirada por todos. A Câmara acedeu e o jardim ficou, de novo, sem revestimento arbóreo. Mas a história não acaba aqui...
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6 de maio de 2011

O Toural em imagens (9)

O Toural, depois de 1911.

Na sequência da implantação da República, em 1910, o Jardim do Toural passou por profunda remodelação. As grades que o cercavam e que colhiam a antipatia de parte da sociedade vimaranense (já em 1899, o então Presidente da Câmara propusera a sua remoção), foram retiradas. O coreto foi transplantado para o Largo D. Afonso Henriques, que passou a designar-se de Passeio da Independência. Desse largo foi retirada a estátua de Afonso Henriques, que foi colocada em espaço central do Campo do Toural, então baptizado como Praça do Fundador de Portugal. Mas não passaria um mês sem que o Toural voltasse a mudar de designação, adoptando-se uma outra que se considerava mais fiel à história: Praça do Libertador de Portugal. Recorde-se que naquele ano se celebrou o oitavo centenário do nascimento de D. Afonso Henriques. A República, acabada de implantar, fez questão de celebrar a preceito o fundador da monarquia. Foi em 1911, passam agora 100 anos.
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5 de maio de 2011

O Toural em imagens (8)

O Toural, num postal "tintado" do início do século XX.
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Esta fotografia capta um instantâneo da vida do Toural no início do século XX. Nesta, como noutras imagens da época, constata-se que o portão virado a sul do jardim era um espaço de encontro e de convívio. Os montes que se vêem ao fundo da imagem, por trás dos edifícios, hoje estão ocultos, em parte, cobertos de construções. A meio da corrente de casas do lado nascente, sobressai um relógio, ali colocado, no ano de 1876, na frontaria da casa de José Clemente Jácome, a quem pertencia. Destinava-se ao serviço de transporte público (trens e coches) e ao público em geral, sendo o seu funcionamento regulado por contrato com a Câmara Municipal. Nem sempre andou a horas certas, como o testemunham algumas queixas de que foi alvo.
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4 de maio de 2011

O Toural em imagens (7)

O Jardim do Toural, tal como era em finais do séc. XIX.
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O Jardim Público do Toural foi desenhado por Marques Loureiro, do Porto. Foi arborizado em 1878. Fechado com grades e portões de ferro, ali não podiam circular pessoas descalças, nem homens sem gravata. A sua frequência aumentava nas noites de Verão, época em que horário em que estava aberto se alargava até às 23 horas. À hora de encerramento dos seus portões, os frequentadores eram avisados pelo toque de uma sineta, sendo as luzes apagadas de imediato, o que gerava, amiúde, manifestações de descontentamento. Teve um grande lago que, em 1896, foi transformado “por um jardineiro do Porto, pondo-o em bacio (pequeno) com repuxo no meio”, nas palavras de João Lopes de Faria. É esse lago com repuxo que aparece em primeiro plano na fotografia que vai acima.
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3 de maio de 2011

O Toural em imagens (6)

O Toural em 1886.
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Vista parcial do Toural, aquando de uma visita do deputado João Franco Castelo Branco em 1886.

O jardim foi criado na segunda metade da década de 1870, tendo-se procedido, para o efeito, ao derrube de árvores que haviam sido plantadas em 1859. Foi fechado com grades e portões de ferro em 1877. Os elementos metálicos do coreto, conhecido por “pavilhão acústico”, foram executados na Fábrica do Bolhão. Foi inaugurado a 7 de Março de 1880, com uma actuação da banda "União Vimaranense", que tocou das 18:00 às 22:30.
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2 de maio de 2011

O Toural em imagens (5)

A Zona do Toural na planta de c. 1569

O Toural em meados do séc. XVI. Reconstituição de Miguel Bastos.
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Não conhecemos representações do Toural anteriores ao século XIX. O meu amigo Miguel Bastos, tomando como base a planta de Guimarães de c. 1569, ensaiou uma reconstituição, cujo esquisso (que o autor classifica de “especulativo”) aqui fica, juntamente com as notas do autor, que se seguem:

- Vêem-se as duas Torres: a da Sra. da Piedade (ou de S. Domingos) onde estava inserida a Porta de Vila (ou de S. Domingos) e a da Alfândega; *

- Vê-se o Postigo de São Paio (com uma sugestão do que seria a imagem de S. Pedro que a encimava);

- O lado norte e o lado poente tinham casas de 2 pisos, sobradadas/alpendradas (onde se fazia o comércio/mercado);

- Ao lado da Torre da Alfândega estava um alpendre/telheiro que funcionava como mercado (e que viria a ser modificado mais tarde – não sei se em 1569 era já Casa da Alfândega…);

- Na base do muro, que não tinha um alinhamento recto como tem hoje a fachada pombalina, havia 2 ou 3 degraus;

- Desenhei (especulativamente) o que seriam os afloramentos rochosos (penedos/lajes do Toural);

- Desenhei o que seria a capela de São Sebastião, que depois seria modificada para igreja, e que seria idêntica, a julgar pela planta, á capela de santa Cruz, perto do castelo ou à de Santiago que havia na mesma praça.

* Note-se que, ao contrário do que aparece em algumas representações que têm sido ensaiadas, a Porta da Vila não ficava ao lado da Torre de S. Domingos, mas sim na própria torre.


Outras perspectivas:


O Toural em meados do séc. XVI. Perspectiva a partir do lado norte. Reconstituição de Miguel Bastos.
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O Toural em meados do séc. XVI. Perspectiva a partir do lado sul. Reconstituição de Miguel Bastos.
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O Toural em imagens (4)

 Vista do Toural, lado voltado a sul, em meados do séc. XIX. Gravura publicada em 1864 na revista Arqchivo Pittoresco.
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A gravura que vai acima reproduz, no essencial, a fotografia que publicamos antes. Aparentemente, terá sido executada a partir daquela imagem. Representa o Toural antes de lá ter sido instalado o Jardim Público.
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1 de maio de 2011

O Toural em imagens (3)

 Vista do Toural, lado voltado a sul, em meados do séc. XIX.
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Segundo Rafael Bluteau, a palavra toural não tem origem latina, significando o lugar onde os coelhos costumam estercar e onde os caçadores lhes fazem esperas. Tem também o significado, em Bragança, de mercado de gado bovino. Há quem associe o Toural de Guimarães a feira de gado, mas não existe nenhuma evidência de que algum dia tenha tido essa função (a feira de gado de Guimarães realizava-se em Santo Amaro ou no Campo da Feira). Certo é que o nome do Toural de Guimarães deriva de touros. É seguro que, aqui, como em outras praças de Guimarães, se realizavam corridas de touros em dias festivos, como aconteceu no final de Abril de 1605, para assinalar o nascimento de um príncipe. Era também um dos lugares de mercado de Guimarães, onde se vendiam diversas mercadorias (lenha, louça, linho, doces…).

No topo voltado a sul, dominava, desde o último quartel do século XVI,  um magnífico chafariz de seis bicas.

Pormenor da fotografia anterior, com o chafariz em primeiro plano. À esquerda, a igreja de S. Sebastião (demolida em finais de oitocentos); à direita, o edifício onde hoje se encontra o Banco Santander.
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