28 de fevereiro de 2011

O ‘Engenhoso’


O Engenhoso, de João Gonçalves

"Engenhoso. Foi moeda de ouro, que fez lavrar El-Rei D. Sebastião no ano de 1562 com o valor de 500 réis. Tinha de uma parte a Cruz com a letra: in hoc signo vinces; e da outra banda o escudo do Reino com a letra: Sebastian. I. Rex Portugal. Chamou-se esta moeda de Engenhoso, por assim se chamar João Gonçalves, natural de Guimarães, que fez o cunho. Ordenou-o ele de sorte, que as moedas saiam fundidas de peso, e com um círculo ao redor para não se poderem cercear."

João Baptista de Castro, Mappa de Portugal Antigo e Moderno, Introdução, Tomo I, 1762, pág. 184.

O cerceio era uma operação fraudulenta, em que se recortava a orla de moedas que saíam mal centradas da cunhagem, com o propósito de lhe retirar parte do metal de que eram feitas. O vimaranense João Gonçalves criou um processo que evitava desvios nos cunhos, permitindo a imediata verificação de qualquer corte de que a moeda fosse objecto, impedindo assim o seu curso.
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27 de fevereiro de 2011

Rios e ribeiros de Guimarães


Moinho no Rio Ave. Fotografia de Mário Cardoso (década de 1930)
A descrição dos rios e ribeiros de Guimarães, em meados do século XVIII, pela pena do Padre João Baptista de Castro (note-se a ausência da Ribeira de Santa Catarina/Rio de Coutos):

 
Ave. Procede da serra de Agra, e de uma ribeira, a que chamam da Laje; e unindo-se com um regato ao pé da Serra de Cabreira, já com bastante cabedal separa o Concelho de Vieira das montanhas de Barroso, e quatro léguas antes de entrar no Oceano, divide o Arcebispado de Braga do Bispado do Porto. Rega os Conventos de Vairão, e de S. Tirso, e os campos do Lugar Celeiró. Tendo recebido abaixo de Guimarães o Vizela, ou Avizela, que passa por Pombeiro, caminha apressadamente por baixo de várias pontes muito boas, e finalmente vai sepultar-se no mar por entre a Vila do Conde e Azurara. O Padre Vasconcelos, como tradutor de Duarte Nunes , o faz erradamente, como ele, nascer junto de Guimarães, como bem repara Fr. Leão de Santo Tomás. Em algumas partes corre com tanta doçura e suavidade, que obrigou a cantar dele Manuel de Faria:

De donde ouvindo estava o som divino,
Que faz correndo o Ave cristalino.

 
Todas as terras, por onde este rio passa, e vai regando, são deliciosas, e ele abundante de barbos mui grandes e saborosíssimos. (págs. 108-109)
(...)
 
Caíde. É um ribeiro, que nasce no monte de Santo António perto da Vila de Guimarães, e se mete no Selho. (pág. 115)
(...)
 
Selhinho. Desde o Lugar do Reboto junto a Guimarães corre com o Selho, e se esconde no Lugar dos Sumes, e torna a surgir no Lugar de Serzedelo para se intrometer com o Ave. (pág. 116)
(...)
 
Selho. Tem seu nascimento na fonte de S.Torcato perto de Guimarães, e conduzido com o aumento de outros riachos, vai passando triunfante pelos arcos de diversas pontes, a da Madre de Deus, a de Caneiros, a do Miradouro, a do Soeiro, e se vai esconder no rio Ave por baixo da ponte de Serves, conservando sempre o mesmo nome. No Lugar de Penouços deram as águas deste rio de beber às Tropas Portuguesas, e Castelhanas, que se acharam na batalha da Veiga das Favas. (pág. 116)
(...)
 
Herdeiro. Corre este rio chegado aos muros de Guimarães. Traz sua origem da fonte do Bom-Nome, que está no Casal que chamam de Entre-as-Vinhas, na Freguesia de S. Pedro de Azurém. Tem uma só ponte de pedra lavrada, que chamam de Santa Luzia, mais majestosa do que convinha à pobreza das suas águas. Vai acabar no rossio de S. Lázaro, aonde ajudando-o outro regato, vão ambos incorporar-se com o Selho no Lugar do Reboto. (pág. 124)

[João Baptista de Castro, Mappa de Portugal Antigo e Moderno, Tomo I, 1762]

 
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24 de fevereiro de 2011

pasmado e duvidoso do que vi, m’espanto às vezes, outras m’avergonho*



A Capital Europeia da Cultura lá vai ganhando notoriedade. Infelizmente, quase sempre pelas más  razões. Se a ideia fosse demolir a boa imagem de Guimarães, construída ao longo de tantos anos, dificilmente se faria melhor. Cansados de verem a sua cidade nas bocas do mundo por razões que antes não eram costume, as gentes de Guimarães continuam, com insuspeitada paciência, à espera de notícias positivas.


*Sá de Miranda (1481-1558), soneto Quando eu, Senhora...
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20 de fevereiro de 2011

A Torre da Alfândega devolvida à cidade?



Pormenor da Torre da Alfândega (reconstrução de 1935)


Leio, na Memória Descritiva do projecto de Requalificação Urbanística da Praça do Toural, Alameda de S. Dâmaso e Rua de Santo António, com obras actualmente em curso:

No limite Sul do Toural, a utilização da cobertura da Torre da Alfândega, edificação agora apenas percebida como um pano de fachada, integraria o objectivo, mais vasto, de releitura da muralha. Revelar à cidade a Torre e revelar a cidade a partir da Torre constitui-se como o objectivo da proposta da sua utilização e consequente acessibilidade a partir do espaço público.

Não tenho tido notícias acerca do andamento desta ideia, que já havia sido divulgada há algum tempo. A sua concretização será um excelente contributo para melhorar a relação dos cidadãos com a sua cidade, criando-se um ponto de observação privilegiado a partir do qual será possível ter uma leitura da conjugação das camadas de contemporaneidade com a textura da cidade velha.

Tomemos a Torre!
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18 de fevereiro de 2011

Houston, we have a problem


Em Abril de 1970, a terceira viagem do homem rumo à Lua acabaria de um modo dramático: uma avaria no sistema eléctrico atingiu os tanques de oxigénio, obrigando a abortar a missão e a antecipar o regresso à Terra, com um acumulado de problemas que pareciam prenunciar a catástrofe. Não tendo atingido a Lua, a missão não acabaria em tragédia, porque os planos de contingência permitiram que se salvasse o essencial, as vidas. A missão Apolo XIII acabaria classificada como “a successful failure” (um fracasso bem sucedido).
Ao ler isto, isto, isto e isto, por exemplo, encalho na expressão do astronauta Swigert, quando reportou a falha técnica que originou o desastre:
“Okay, Houston, we've had a problem here.”
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13 de fevereiro de 2011

S. Valentim?

 

Mal passa o ciclo do Natal, logo entra em campo S. Valentim. Em se aproximando Fevereiro, coloca-se em movimento uma colossal máquina de propaganda, que se nos bombardeia com solicitações, convites, ofertas e promoções alusivas a S. Valentim (género: "Surpreenda a sua «cara metade» com uma prenda à sua medida. Jóias, perfumes, viagens, flores e muito mais à sua disposição para fazer a diferença no Dia dos Namorados"). Confesso que este "Dia dos Namorados" não me entusiasma nem um pouco, antes pelo contrário: nada me diz. No meu tempo de adolescente - o que, acreditem, nem foi assim há tanto tempo - nunca ouvi falar em tal santo. O dia 14 de Fevereiro era um dia igual aos outros, sem nada de assinalável. No entanto, ao que se vê agora, S. Valentim parece fazer parte das nossas tradições mais arreigadas.

E, como de pequenino é que se torce o pepino, lá vemos as nossas escolas e outras instituições igualmente respeitáveis a organizarem actividades comemorativas do "Dia dos Namorados" dirigidas a, pasme-se, crianças dos jardins de infância ou do ensino básico. Admito que possa ser classificado como bota-de-elástico, mas confesso que não percebo bem o que se pretende ensinar sobre a matéria em questão a miúdos que ainda há pouco largaram (e, se calhar, nem todos) as fraldas…

S. Valentim não faz parte das nossas tradições populares. Trata-se de uma manifestação da cultura anglo-saxónica de importação recente, no quadro de um processo de aculturação que nos vai impondo as práticas da cultura dominante, num movimento de massificação e de unificação cultural que tende a anular as marcas de identidade e de originalidade presentes em múltiplas expressões das culturas nacionais e locais.

Basta folhear as páginas da obra (quase) exaustiva de Jorge Barros e Soledade Martinho Costa Festas e Tradições Portuguesas - Ritos, memória e identidade, para perceber que não há lá lugar para S. Valentim. Todavia, por esse país fora, não faltam festas de namorados, espalhadas por diversos meses do calendário. E, destas, uma das mais originais tem lugar em Guimarães, entre a romaria da Senhora da Conceição (8 de Dezembro) e a de Santa Luzia (13 de Dezembro), onde os namorados trocam sardões e passarinhas, doces pitorescos que, pelo nome e pela configuração, denunciam segundos sentidos carregados de um simbolismo malicioso e quase explícito. "Se me deres a passarinha, eu dou-te um sardão", diz o rapaz para a rapariga, com a malícia de quem aspira a receber algo mais do que aquele doce de pasta de farinha, recoberto com uma camada branca de açúcar e enfeitado com pedacinhos de papel.

Quem tem uma festa de namorados assim eloquente e original, só deve tratar de a preservar e não carece de celebrar tradições alheias.

Aos que lhe vêm falar em festas de namorados, os de Guimarães deveriam responder como só eles sabem, no seu português tão colorido e expressivo, exibindo-lhes os seus sardões e as suas passarinhas.

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11 de fevereiro de 2011

O Botequim do Vagomestre

O Botequim do Vagomestre situava-se no edifício que aparece realçado na imagem.

Em Maio de 1919, Fernando da Costa Freitas, publicou, no jornal Gil Vicente, uma "novela vimaranense", com o título "Amores!..." em que fala do antigo Botequim do Vagomestre, "célebre porque nele se reunia por essa época e ainda muitos anos depois, a intelectualidade vimaranense, a juventude doirada, a fina flor" da Guimarães de meados do século XIX. O Botequim, que pertencia a José Manuel da Costa, tinha portas abertas no lado poente do Toural, entre a Basílica de S. Pedro e a casa do Fidalgo do Toural. Costa Freitas descreveu assim o Botequim:
 
Era uma sala acanhada, de paredes nuas e pequena altura, com duas portas para a Praça do Toural, sala quase tão larga como comprida que quatro únicas mesas de simples luzidio mármore, com as competentes cadeiras de palhinha, — não muito confortáveis, mas muito frescas —, guarneciam e enchiam, escassamente alumiada por outros tantos candeeiros de azeite e onde o fumo da cozinha que lhe ficava na retaguarda, entrando, passando e repassando durante anos consecutivos, — e gerações inteiras—, como velho e assíduo frequentador, tinha comido o verniz dos móveis, — pré-históricos —, dando-lhes a cor, — igual e uniforme — da carne ensacada, ou dos chouriços fumeiros.
 
Por ali passou tudo quanto, em Guimarães, havia então de mais nobre e mais selecto, de mais ilustre e mais distinto, nas ciências e nas letras, nas artes e nas indústrias, no comércio e na agricultura, — numa época em que as diversas classes da sociedade, respeitando-se mutuamente faziam, no entanto, vida à parte, seguindo as indicações e as tendências dos seus mais altos e preclaros representantes.
 
Nesse botequim famoso em que o viandante amanhã não reparará por certo, mas cuja lembrança há-de perdurar como um dos pontos de reunião mais célebres de Guimarães, de todos os tempos, dentro daquelas paredes enegrecidas em que o talento de tantos e tão notáveis espíritos projectou luminosos e eternos revérberos, sobre aquelas pequenas e modestas mesas de café que o tempo consumiu, ou o fogo calcinou, discutiram-se, com amor e com carinho, todos os assuntos que diziam respeito à terra querida que lhes foi berço, —e sepultura!—com a mesma atenção, com a mesma ansiedade, com o mesmo interesse dos rabujos e inveterados jogadores do Quino ou do Xadrez, com a mesma obstinação, com o mesmo zelo, com a mesma solicitude dos parceiros habituais do jogo das Damas, que por ali passaram, ralharam, gritaram, sorriram, visto que todos eles e cada um de per si, por Sua Dama, — A Pátria! —, sacrificariam de bom grado a própria vida, ou esta palavra mágica não tivesse sido, sem contradita, o santo e a senha, o lema e a divisa duma abençoada maçonaria que os obrigou, enlaçou e prendeu, para sempre, a todos, tanto aos que apenas discutiam, como aos que jogavam — e ganhavam ou perdiam!...
 
(…)
 
O botequim do Vagomestre foi, simultaneamente, associação e grémio, assembleia e clube, academia e cenáculo e quantas vezes até — casa da câmara e tribunal!
 
Todas as questões se trataram ali; dali se orientava e dirigia a opinião; ali se criaram, formaram e discutiram todos os empreendimentos da moderna Guimarães, pelo que esse célebre botequim deve ser considerado ainda como o ponto de apoio, o fulcro abençoado e luminoso duma nova alavanca de Arquimedes soerguida então pelos braços vigorosos e hercúleos dos maiores patriotas que aquela terra jamais teve, numa ânsia de desenvolvimento, de progresso, de consideração e de renome, que constitui para todos os que ali nasceram, ali sentiram germinar os primeiros pensamentos e viram florir os primeiros amores, um título de glória e um pergaminho da mais alta e autêntica nobreza, — como manifestação da excelência da alma do menor numero em prol da comunidade e benefício da grei!
 
Hoje, esquecido e abandonado o botequim fechou!

Lisboa, Maio de 1919.

Fernando da Costa Freitas.
[Gil Vicente, 13 de Julho de 1919]
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6 de fevereiro de 2011

Licor de Santa Clara






Há dias, recebi do meu amigo Torcato Ribeiro a notícia da existência, em tempos, de um licor com receita das clarissas de Guimarães, cuja existência desconhecia. Dias depois, caíam-me na caixa do correio as fotografias da respectiva garrafa, que aqui se reproduzem. No rótulo, surge a marca "Licor de Santa Clara – Guimarães" e a indicação "José Martins Júnior". No dorso da garrafa, estão descritas as virtudes deste licor, cuja composição se desconhece, apenas se sabendo que não continha "substâncias nocivas à saúde":
O segredo do fabrico deste licor tenuíssimo, duma fluidez incomparável e dum sabor delicioso e inesperado, provém das monjas do antigo mosteiro de Sta. Clara, de Guimarães, fundado em 1559. Na fórmula desta bebida finíssima não entram substâncias nocivas à saúde, antes estimula e facilita a função digestiva, sendo particularmente recomendado às naturezas débeis. Quem uma vez o provar jamais dispensa diariamente, no fim da refeição principal, um pequeno cálice isolado ou acompanhando o seu café.
A origem desta bebida no convento de Santa Clara suscita algumas interrogações. No relatório da Exposição Industrial de 1884 faz-se referência à produção de toucinho-do-céu em Santa Clara, mas nada se refere a propósito de qualquer licor. Na obra Guimarães, O Labor da Grei, publicação comemorativa da exposição industrial e agrícola de 1923, informa-se que o Convento de Santa Clara se dedicava “ao Toucinho-do-céu, às Tortas, às Chouriças (morcelas) e outras espécies de doce que eram a delícia dos apreciadores, como o são ainda hoje” (p. 200). Também aí, nada consta a propósito de licores.
Com tais propriedades, causa estranheza ter-se perdido o rasto ao Licor de Santa Clara de Guimarães. Pela ortografia e pela composição do texto dos rótulos, em caracteres góticos, muito em uso em Guimarães em meados do século XX, percebemos que não deve faltar por aí quem ainda se recorde deste licor "dum sabor delicioso e inesperado".
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4 de fevereiro de 2011

"Igreja barroca, local desconhecido"


Igreja barroca, local desconhecido
Fonte: Frederick William Flower – Um Pioneiro da Fotografia Portuguesa / Frederick William Flower – A Pioneer of Portuguese Photography, de Michael Gray, Vitória Mesquita, José Pessoa r André Rouillé. Museu do Chiado - Lisboa, Lisboa 94 / Milão, Electa, 1994

A fotografia que vai aí acima aparece na obra Frederick William Flower – Um Pioneiro da Fotografia Portuguesa, publicada quando Lisboa foi Capital Europeia da Cultura  (1994). O edifício que representa surge descrito como "igreja barroca, local desconhecido". 

 

Confesso que, das vezes que olhei para aquela imagem, não a identifiquei com qualquer edifício que conhecesse.

 

Ontem, mão amiga (Miguel Bastos, a quem agradeço) fez-ma chegar com a correspondente identificação: trata-se da muito vimaranense Igreja de Santo António dos Capuchos, à qual se encostou o hospital velho, património da Misericórdia de Guimarães. É exactamente a ausência na fotografia do edifício do hospital que perturba a identificação, até porque a igreja está hoje exactamente igual ao que era em meados do século XIX (já nem sequer lhe falta o cruzeiro, que voltou ao seu local de origem, aquando da recente requalificação daquele espaço).

 

A fotografia aparece com a datação aproximada de 1849-1859. Possivelmente, terá sido fixada entre 1857 e 1859, altura em que Frederick W. Flower esteve em Guimarães e fotografou a Praça da Oliveira.

 

São de Flower as fotografias mais antigas de Guimarães até hoje conhecidas.

 


 A igreja e o Hospital da Misericórdia, em 1925.


A igreja terá sido construída na segunda metade do século XVIII. O edifício do Hospital, que não aparece na fotografia de Flower, começou a ser construído em 1861 e ficou concluído em 1867.


A Igreja dos Capuchos, em fotografia actual.

Ao Miguel Bastos e, muito em especial, à perspicácia da sua esposa (Adriana), ficamos a dever a identificação de uma das primeiras fotografias tiradas em Guimarães.


PS (5/02/2011): Chamam-me a atenção para o texto da conferência do meu amigo Eduardo Brito, na Plataforma das Artes, em 26 de Março de 2010, sobre o tema "Cidade Imaginada", em que o conferencista já identifica a fotografia em questão como representando a "fachada do Convento dos Capuchos, indicada como local desconhecido". O texto da conferência de Eduardo Brito, pode ser lido aqui. Vale a pena.
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1 de fevereiro de 2011

O Vimaranes-Cine (3)

George B. Seitz

Entre finais de Novembro e inícios de Dezembro de 1919, o Vimaranes-Cine exibiu o filme em episódios "Anel Fatal", de George B. Seitz. Os quinze episódios eram exibidos em dias sucessivos, alimentando o suspense, com um desenlace inesperado no último episódio. Tanto quanto se sabe, não existe hoje qualquer cópia desta obra. A sua exibição foi noticiada assim na imprensa vimaranense:

Vimaranes-Cine

Principiou no último domingo a ser exibido nesta casa de espectáculos, o importante film policial em 30 actos "Anel Fatal", que é sem dúvida uma película interessante, prendendo imenso a atenção dos espectadores.

Na passada quinta feira passaram no écran os dois primeiros episódios, já exibidos, e mais duas séries intituladas "Camarote n.° 13" e "Brancos contra Amarelos".

Hoje, domingo, serão exibidas as novas séries "Condenado à Morte" e "Novo Aliado".
(Gil Vicente, 23 de Novembro de 1919)

Vimaranes-Cine

Esta empresa tem exibido com agrado geral o film americano de grande efeito Anel Fatal, que em 15 episódios tem deliciado os habitués daquele Cine.

As casas têm estado à cunha.
(O Comércio de Guimarães, 2 de Dezembro de 1919)


O Anel Fatal (The Fatal Ring), 1917

Realizador: George B. Seitz

Elenco: Pearl White, Earle Foxe e Warner Oland
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