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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2011

O ‘Engenhoso’

O Engenhoso, de João Gonçalves
"Engenhoso. Foi moeda de ouro, que fez lavrar El-Rei D. Sebastião no ano de 1562 com o valor de 500 réis. Tinha de uma parte a Cruz com a letra: in hoc signo vinces; e da outra banda o escudo do Reino com a letra: Sebastian. I. Rex Portugal. Chamou-se esta moeda de Engenhoso, por assim se chamar João Gonçalves, natural de Guimarães, que fez o cunho. Ordenou-o ele de sorte, que as moedas saiam fundidas de peso, e com um círculo ao redor para não se poderem cercear."
João Baptista de Castro, Mappa de Portugal Antigo e Moderno, Introdução, Tomo I, 1762, pág. 184.
O cerceio era uma operação fraudulenta, em que se recortava a orla de moedas que saíam mal centradas da cunhagem, com o propósito de lhe retirar parte do metal de que eram feitas. O vimaranense João Gonçalves criou um processo que evitava desvios nos cunhos, permitindo a imediata verificação de qualquer corte de que a moeda fosse objecto, impedindo assim o seu curso.

Rios e ribeiros de Guimarães

Moinho no Rio Ave. Fotografia de Mário Cardoso (década de 1930) A descrição dos rios e ribeiros de Guimarães, em meados do século XVIII, pela pena do Padre João Baptista de Castro (note-se a ausência da Ribeira de Santa Catarina/Rio de Coutos):

Ave. Procede da serra de Agra, e de uma ribeira, a que chamam da Laje; e unindo-se com um regato ao pé da Serra de Cabreira, já com bastante cabedal separa o Concelho de Vieira das montanhas de Barroso, e quatro léguas antes de entrar no Oceano, divide o Arcebispado de Braga do Bispado do Porto. Rega os Conventos de Vairão, e de S. Tirso, e os campos do Lugar Celeiró. Tendo recebido abaixo de Guimarães o Vizela, ou Avizela, que passa por Pombeiro, caminha apressadamente por baixo de várias pontes muito boas, e finalmente vai sepultar-se no mar por entre a Vila do Conde e Azurara. O Padre Vasconcelos, como tradutor de Duarte Nunes , o faz erradamente, como ele, nascer junto de Guimarães, como bem repara Fr. Leão de Santo Tomás. Em algumas partes c…

pasmado e duvidoso do que vi, m’espanto às vezes, outras m’avergonho*

A Capital Europeia da Cultura lá vai ganhando notoriedade. Infelizmente, quase sempre pelas

A Torre da Alfândega devolvida à cidade?

Pormenor da Torre da Alfândega (reconstrução de 1935)

Leio, na Memória Descritiva do projecto de Requalificação Urbanística da Praça do Toural, Alameda de S. Dâmaso e Rua de Santo António, com obras actualmente em curso:

No limite Sul do Toural, a utilização da cobertura da Torre da Alfândega, edificação agora apenas percebida como um pano de fachada, integraria o objectivo, mais vasto, de releitura da muralha. Revelar à cidade a Torre e revelar a cidade a partir da Torre constitui-se como o objectivo da proposta da sua utilização e consequente acessibilidade a partir do espaço público.
Não tenho tido notícias acerca do andamento desta ideia, que já havia sido divulgada há algum tempo. A sua concretização será um excelente contributo para melhorar a relação dos cidadãos com a sua cidade, criando-se um ponto de observação privilegiado a partir do qual será possível ter uma leitura da conjugação das camadas de contemporaneidade com a textura da cidade velha.
Tomemos a Torre!

Houston, we have a problem

Em Abril de 1970, a terceira viagem do homem rumo à Lua acabaria de um modo dramático: uma avaria no sistema eléctrico atingiu os tanques de oxigénio, obrigando a abortar a missão e a antecipar o regresso à Terra, com um acumulado de problemas que pareciam prenunciar a catástrofe. Não tendo atingido a Lua, a missão não acabaria em tragédia, porque os planos de contingência permitiram que se salvasse o essencial, as vidas. A missão Apolo XIII acabaria classificada como “a successful failure” (um fracasso bem sucedido). Ao ler isto, isto, isto e isto, por exemplo, encalho na expressão do astronauta Swigert, quando reportou a falha técnica que originou o desastre: “Okay, Houston, we've had a problem here.”

As praças da Oliveira e de Santiago

Lançado no 37.º aniversário da Universidade do Minho, a 17 de Fevereiro de 2011.

S. Valentim?

Mal passa o ciclo do Natal, logo entra em campo S. Valentim. Em se aproximando Fevereiro, coloca-se em movimento uma colossal máquina de propaganda, que se nos bombardeia com solicitações, convites, ofertas e promoções alusivas a S. Valentim (género: "Surpreenda a sua «cara metade» com uma prenda à sua medida. Jóias, perfumes, viagens, flores e muito mais à sua disposição para fazer a diferença no Dia dos Namorados"). Confesso que este "Dia dos Namorados" não me entusiasma nem um pouco, antes pelo contrário: nada me diz. No meu tempo de adolescente - o que, acreditem, nem foi assim há tanto tempo - nunca ouvi falar em tal santo. O dia 14 de Fevereiro era um dia igual aos outros, sem nada de assinalável. No entanto, ao que se vê agora, S. Valentim parece fazer parte das nossas tradições mais arreigadas.
E, como de pequenino é que se torce o pepino, lá vemos as nossas escolas e outras instituições igualmente respeitáveis a organizarem actividades comemorativas do &quo…

O Botequim do Vagomestre

O Botequim do Vagomestre situava-se no edifício que aparece realçado na imagem.
Em Maio de 1919, Fernando da Costa Freitas, publicou, no jornal Gil Vicente, uma "novela vimaranense", com o título "Amores!..." em que fala do antigo Botequim do Vagomestre, "célebre porque nele se reunia por essa época e ainda muitos anos depois, a intelectualidade vimaranense, a juventude doirada, a fina flor" da Guimarães de meados do século XIX. O Botequim, que pertencia a José Manuel da Costa, tinha portas abertas no lado poente do Toural, entre a Basílica de S. Pedro e a casa do Fidalgo do Toural. Costa Freitas descreveu assim o Botequim:
Era uma sala acanhada, de paredes nuas e pequena altura, com duas portas para a Praça do Toural, sala quase tão larga como comprida que quatro únicas mesas de simples luzidio mármore, com as competentes cadeiras de palhinha, — não muito confortáveis, mas muito frescas —, guarneciam e enchiam, escassamente alumiada por outros tantos cand…

Licor de Santa Clara

Há dias, recebi do meu amigo Torcato Ribeiro a notícia da existência, em tempos, de um licor com receita das clarissas de Guimarães, cuja existência desconhecia. Dias depois, caíam-me na caixa do correio as fotografias da respectiva garrafa, que aqui se reproduzem. No rótulo, surge a marca "Licor de Santa Clara – Guimarães" e a indicação "José Martins Júnior". No dorso da garrafa, estão descritas as virtudes deste licor, cuja composição se desconhece, apenas se sabendo que não continha "substâncias nocivas à saúde":
O segredo do fabrico deste licor tenuíssimo, duma fluidez incomparável e dum sabor delicioso e inesperado, provém das monjas do antigo mosteiro de Sta. Clara, de Guimarães, fundado em 1559. Na fórmula desta bebida finíssima não entram substâncias nocivas à saúde, antes estimula e facilita a função digestiva, sendo particularmente recomendado às naturezas débeis. Quem uma vez o provar jamais dispensa diariamente, no fim da refeição principal, um…

"Igreja barroca, local desconhecido"

Igreja barroca, local desconhecido
Fonte: Frederick William Flower – Um Pioneiro da Fotografia Portuguesa / Frederick William Flower – A Pioneer of Portuguese Photography, de Michael Gray, Vitória Mesquita, José Pessoa r André Rouillé. Museu do Chiado - Lisboa, Lisboa 94 / Milão, Electa, 1994

A fotografia que vai aí acima aparece na obra Frederick William Flower – Um Pioneiro da Fotografia Portuguesa, publicada quando Lisboa foi Capital Europeia da Cultura  (1994). O edifício que representa surge descrito como "igreja barroca, local desconhecido". Confesso que, das vezes que olhei para aquela imagem, não a identifiquei com qualquer edifício que conhecesse.Ontem, mão amiga (Miguel Bastos, a quem agradeço) fez-ma chegar com a correspondente identificação: trata-se da muito vimaranense Igreja de Santo António dos Capuchos, à qual se encostou o hospital velho, património da Misericórdia de Guimarães. É exactamente a ausência na fotografia do edifício do hospital que perturba a ide…

O Vimaranes-Cine (3)

George B. Seitz
Entre finais de Novembro e inícios de Dezembro de 1919, o Vimaranes-Cine exibiu o filme em episódios "Anel Fatal", de George B. Seitz. Os quinze episódios eram exibidos em dias sucessivos, alimentando o suspense, com um desenlace inesperado no último episódio. Tanto quanto se sabe, não existe hoje qualquer cópia desta obra. A sua exibição foi noticiada assim na imprensa vimaranense:
Vimaranes-Cine
Principiou no último domingo a ser exibido nesta casa de espectáculos, o importante film policial em 30 actos "Anel Fatal", que é sem dúvida uma película interessante, prendendo imenso a atenção dos espectadores.
Na passada quinta feira passaram no écran os dois primeiros episódios, já exibidos, e mais duas séries intituladas "Camarote n.° 13" e "Brancos contra Amarelos".
Hoje, domingo, serão exibidas as novas séries "Condenado à Morte" e "Novo Aliado". (Gil Vicente, 23 de Novembro de 1919)
Vimaranes-Cine

Esta empresa tem …