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A mostrar mensagens de Janeiro, 2011

O Vimaranes-Cine (2)

No princípio de Novembro de 1919, o Vimaranes-Cine exibiu os filmes Bailarinas, que não consigo identificar, Vida de Cão, de Charlie Chaplin e Jou-Jou, de Baldassarre Negroni (1916). O jornal Gil Vicente deu a notícia:

"Vimaranes-Cine"
Agradou imenso o programa exibido na passada quinta-feira, no "Vimaranes-Cine (Teatro D. Afonso Henriques).
A formosa película da série de ouro, em 7 partes, Bailarinas, é sem dúvida uma fita de valor e umas das mais comoventes que temos visto.
Charlot vida de cão, conservou o público em contínua gargalhada.

Hoje será exibido o importante filme em 8 actos, Jou-Jou, continuação da impagável fita Charlot vida de cão.
                                                                            (Gil Vicente, 9 de Novembro de 1919)


Vida de Cão (A Dog's Life), 1918
Autor: Charles Chaplin Elenco: Charles Chaplin, Edna Purviance e Dave Anderson

O Vimaranes-Cine (1)

A propósito de teatros vimaranenses, eis uma outra preciosidade, retirada do baú do esquecimento:

Planta do Teatro D. Afonso Henriques (c. 1920). Cortesia do nosso amigo J. M. Torcato Ribeiro.
No início de Novembro de 1919, o teatro de Guimarães, o D. Afonso Henirques, era classificado, numa nota no jornal Gil Vicente, como um pardieiro, onde tudo estava podre, ameaçando ruína:

"Além de não possuir nada, absolutamente nada do que deve exigir-se numa casa que se destina a espectáculos, tem actualmente o inconveniente sério de não mostrar uma tábua que não tenha sofrido a acção da velhice."

No entanto, foi aí que o empresário Luís do Souto instalou o Vimaranes-Cine.
A sala de espectáculos que aparece representada na imagem que damos aí acima é o Teatro D. Afonso Henriques, na sua versão Vimaranes-Cine, cerca de 1920.

Para a história do Teatro Jordão (15)

E agora, algo de verdadeiramente raro:

Com um agradecimento ao meu amigo J. M. Torcato Ribeiro.

A implantação República nos jornais de Guimarães (8)

Do Regenerador, de 21 de Outubro de 1910

Os nomes das ruas
Vai por essas cidades e vilas de Portugal uma delenda Cartago nos nomes antigos dos largos, ruas e travessas. Não sabemos o que tenciona fazer a futura comissão municipal republicana, desta cidade.

Resolverá mudar os nomes às ruas?

Sendo assim, parece-nos que deveríamos voltar ao antigo, por exemplo: a rua da Rainha poderia chamar-se — a rua Sapateira; a de D. João I — rua de Gatos; a rua de Santo António — rua do Mata Diabos; a rua de Camões —rua das Molianas; a praça de D. Afonso Henriques — Campo do Vendaval; a rua de S. Dâmaso — rua de Trás do Muro; etc, etc.

Mas, a sério: há muita gente que ignora a razão que levou as câmaras passadas a porem às ruas os nomes que têm. A rua da Rainha é assim chamada em homenagem a D. Maria II, quando deu a Guimarães o título de cidade. A rua de D. João I comemora a romagem que o Mestre de Avis fez a Nossa Senhora da Oliveira, depois da vitória de Aljubarrota.

Tirar à praça D. Afonso Henriques o…

A implantação República nos jornais de Guimarães (7)

Do Independente, de 15 de Outubro de 1910


Manifesto

O snr. Dr. Eduardo de Almeida, distinto administrador do concelho, fez distribuir há dias profusamente nesta cidade o seguinte manifesto:

AO POVO DE GUIMARÃES
"Causou intensa e profunda comoção a maneira leal o tão correcta como este povo, cujas excelentes qualidades do trabalho são bem características e que, não obstante, durante longos anos foram quase desprezados pelos governos monárquicos — porque atendiam os interesses particulares e não os interesses gerais —, o povo de Guimarães, que sempre se mostrou dedicado até o sacrifício e paciente até ao grau extrema da resignação, acolheu a ideia que um movimento verdadeiramente heróico tornou um facto; o renascimento da Pátria portuguesa com a implantação vitoriosa da República.
Não pode esquecer nunca que todo o regimento de infantaria 20 merece a maia cordial admiração e o nosso mais entusiástico respeito pelo nobre procedimento que adoptou no transe difícil que atravessamos.
O povo …

A implantação República nos jornais de Guimarães (6)

De O Comércio de Guimarães, de 28 de Outubro de 1910

A nova Câmara Municipal de Guimarães

Finalmente, tomou posse na passada quarta feira, 21 do corrente, a nova vereação municipal, nomeada pelo ilustre governador civil do distrito.
(…)
No acto da posse foi, pelo actual presidente do Senado snr. José Pinto Teixeira de Abreu, lida a seguinte alocução:
Senhor Presidente
Acabais de obedecer às instruções governativasdando-nos posse da administração do município deste concelho.
Senhor Presidente
A vaidade não nos cega a nós, obscuros Vimaranenses, até ao ponto de não vermos quão pesado encargo vamos tomar.
Mas no actual momento nenhum de nós, republicanos sinceros, se recusaria a prestar o seu auxílio, ainda que com sacrifícios à causa que desde longos anos nos habituámos a adorar.
Não expusemos, é certo, o peito às balas como os nossos correlegionários da heróica cidade de Lisboa para a implantação do novo regime, mas nem por isso os republicanos de Guimarães, apesar de poucos, mas sinceros, tiver…

A implantação República nos jornais de Guimarães (5)

De O Comércio de Guimarães, de 11 de Outubro de 1910

"O Comércio de Guimarães"

Não se publicou na sexta-feira passada o nosso periódico por ficar sem efeito toda a matéria que estava composta, relativa ao regime findo.

NOVO REGIME
Após dias sangrentos, lutas encarniçadas e heróicas, dias de amargura e ansiedade, foi proclamada a república em Portugal.
Após esse dia que marcará uma era importante em a nossa nacionalidade, as manifestações têm-se repetido pelos adeptos ao novo regime, têm-se içado bandeiras, foi enfim proclamada a República.
Quanto sangue derramado, quantas vidas imoladas, dizem que 3 a 4 mil, quantos esforços heróicos e dedicações sinceras tombadas!...
O novo regime não nos apavora. Nele homens há de valor que lutarão pela salvação de Portugal, a nossa única ambição e assim seja a deles.
O nosso periódico, que defendeu sempre um ideal político nobre e altivo, nunca teve em vista ferir pessoalmente.
Advogava ideias, não atacava pessoas.
A confirmar o que deixamos escrit…

A implantação República nos jornais de Guimarães (4)

De A Restauração, 11 de Outubro de 1910



A nossa orientação

Decerto nenhum dos nossos leitores espera que A Restauração lhe venha dar notícia das alterações políticas da última semana, que já são conhecidas no mundo inteiro. Mas talvez que alguns nos não levassem a bem que deixássemos de expor a nossa orientação relativamente a esses acontecimentos.

A este respeito porem nada temos que dizer. Norteados por princípios que pairam acima de todas as contingências políticas — princípios que nos dominam e em que nós não dominamos — nada temos que alterar no rumo até aqui seguido.

A Restauração, como claramente indica o seu subtítulo, é um semanário católico. Cuidamos que, por mercê de Deus, não temos desonrado essa nobre profissão; e esperamos continuar a honrá-la quanto em nossas limitadas forças caiba.

Como esta profissão é indivisível, nós, para sermos católicos, queremos sê-lo em todas as manifestações da actividade moral, tanto da vida individual como da vida social. Reprovamos pois e …

A implantação República nos jornais de Guimarães (3)

Do Independente, 8 de Outubro de 1910



O ADVENTO DA REPÚBLICA

Como os leitores já sabem pela leitura dos jornais diários, está definitivamente proclamada a República em Portugal.

Após uma luta heróica entre os revolucionários e as tropas que se conservaram fiéis às instituições monárquicas, triunfou a causa republicana ao cabo de um renhidíssimo combate que se prolongou durante 19 horas.

O governo provisório da República ficou assim constituído:

Presidência, dr. Joaquim Teófilo Braga.

Interior, dr. António José de Almeida.

Justiça, dr. Afonso Costa.

Fazenda, Basílio Teles.

Guerra, António Xavier Correia Barreto.

Marinha, Amaro Justiniano de Azevedo Gomes.

Estrangeiros, dr. Bernardino Luís Machado Guimarães.

Obras públicas, dr. António Luís Gomes.

Com a assistência da Comissão Municipal Republicana, autoridades e outras individualidades, realizou-se hoje ao meio dia no edifício da Câmara Municipal desta cidade a proclamação da República Portuguesa, sendo hasteada nos Paços do Concelho a ba…

A implantação República nos jornais de Guimarães (2)

Do Regenerador, de 7 de Outubro de 1910:

Por Guimarães
Nesta faina jornalística, em que temos andado, a par da defesa dum partido que julgamos bem intencionado e apto para bem governar o país, tivemos sempre esta preocupação — sermos úteis à nossa terra, promovendo o seu engrandecimento, ora lembrando o que lhe era útil, ora censurando em gazetilhas ligeiras e inofensivas o que nos parecia digno de censura.
Nunca a nossa pena se moveu por ódios pessoais nem por intransigências dum partidarismo faccioso.
Então, como hoje; hoje, como sempre, nós pusemos ao servido desta terra onde nascemos os minguados recursos da nossa inteligência e o esforço da nossa boa vontade.
Como há sempre quem malsine as melhores intenções e de tudo faça política, nem sempre se nos fez justiça. A maldade humana vê sempre oculto nas dobras dos mais belos empreendimentos o espírito de ganância, o desejo de figurar, o mercantilismo torpe, a vaidade balofa e estulta.
Deixá-la!
*
A pátria portuguesa está passando por um dos…

A implantação República nos jornais de Guimarães (1)

Do Notícias de Guimarães, de 6 de Outubro de 1910:

LISBOA EM REVOLUÇÃO
Pelas parcas informações até nós chegadas pelos jornais do Porto, apenas podemos apresentar, como boato, a nossos prezados leitores, que alguns exércitos de Lisboa, juntamente com grande número de populares tentam impor à Monarquia novas instituições em pró da liberdade; isto é, proclamar a república.
O letíferos passos que imprudentemente el-rei dera, são a causa, talvez irremediável, da queda vergonhosa da secular monarquia que tanto trabalho e sangue custou ao nosso filho e grande rei D. Afonso Henriques.
As notícias, vindas ate nós, são todas desfavoráveis à monarquia, nem uma só a acompanha em favor.
Daí o desânimo quase geral que, com intensidade assombrosa se apodera dos monárquicos, até dos da província.
Conversas a que temos assistido, todas reflectem a indiferença pela mudança de regime, tal desgosto que entre todos, em geral, lavra.
Isto o que podemos assegurar aos nossos leitores, como certo. O que se está, a …