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A mostrar mensagens de Dezembro, 2009

O pau da cabeleira de António Lobo de Carvalho

Faustino Xavier de Carvalho (1820-1869)

O poeta satírico português Faustino Xavier de Novais (n. Porto, 17 de Fevereiro de 1820), foi um dos colaboradores do Periódico dos Pobres do Porto, onde escrevia com o pseudónimo Saturno. Entre 1852 e 1857 dirigiu a revista "O Bardo, jornal de poesias inéditas", que então se publicava na sua cidade natal. Nos últimos anos da sua vida, deixou o Porto, mudando-se para o Brasil, segundo Camilo Castelo Branco por causa de "um amor baixo, ignóbil até a miséria". Morreu no Rio de Janeiro, em 1869. Na obra "Cartas de um roceiro", publicada no Rio de Janeiro, conta uma história curiosa, envolvendo o poeta vimaranense António Lobo de Carvalho. É a seguinte:



"Ouvindo isto ocorreu-me outra história do vizinho Gaudêncio.

Conta ele que um antigo poeta satírico, chamado António Lobo de Carvalho, era homem de vida irregular, e vingativo por natureza.

Sujeito, ou sujeita, que lhe não satisfizesse todas as vontades, podia contar c…

Soneto de António Lobo de Carvalho, poeta vimaranense do séc. XVIII

Ilustração do Almanach de Lembranças Luso-Brasileiro Para o Ano de 1860.


AOS AVARENTOS.

Maldito seja, seja excomungado,
Aquele horrendo mísero jarreta,
Que cheia de dobrões tendo a gaveta,
Nem somente um real dá emprestado!

Permitia o céu que a moça e o criado
Algum furto lhe façam com tal treta,
Que o misérrimo vil, como escopeta.
Arrebente de estouro, exasperado!

Veja enfim por castigo derradeiro.
Quando estiver já quase moribundo,
A festa que se faz ao seu dinheiro.

E padecendo as penas do profundo,
O diabo lhe conte quanto o herdeiro
Se regala com ele cá no mundo!

António Lobo de Carvalho.

 [in Almanach de Lembranças Luso-Brasileiro Para o Ano de 1860, Tipografia Franco-Portuguesa, Lisboa, 1859, pág. 344]

Guimarães em 1867

Ilustração da Revista O Panorama

É muito notável o entusiasmo, com que o autor do Tratado Elementar de Geographia, D. José de Urculu, começa a falar do Guimarães. — Vila linda, diz ele, vila linda e industriosa, no meio duma campina tão agradável como fértil entre os rios Ave e Vizela, cercada duma muralha de 3.685 passos geométricos de circunferência, fortificada com 7 torres...... Guimarães foi a primeira capital da monarquia portuguesa; aqui nasceu D. Afonso Henriques; tem muita nobreza antiga; é pátria igualmente de muitos ilustres varões. —

Cumpre distinguir a Guimarães antiga da Guimarães moderna. — Segundo vemos pela noticiosa Corographia Portugueza do Padre António Carvalho da Costa, o assento da primeira foi entre os dois rios, já indicados, ao pé do monte Latito, dividido depois em dois nomes — o de Santa Maria, e Monte Largo, entre o norte e o nascente. — No cume desse lugar altíssimo mandou a condessa Mumadona edificar um castelo, e dentro dele uma torre, toda fechada, que …

Barcelos, Guimarães e a Conquista de Ceuta

Eis a tradição de Ceuta e do castigo infligido aos de Barcelos a favor dos de Guimarães, num curioso relato de um barcelense, de acordo com um livro de viagens dos primeiros anos do século XX:

Mais tarde, quando regressávamos já ao hotel, admiramos também a casa da Câmara, um grande edifício remoçado, e essa circunstância deu ensejo a que Veríssimo nos narrasse certo castigo infligido as edilidades de Barcelos por D. João I. É uma dessas imaginosas penalidades em que a fantasia antiga, sem peias de códigos, se comprazia tantas vezes.

O Mestre de Avis, tendo acabado de tomar Ceuta, confiou aos homens de armas de Barcelos a defesa de certo ponto da muralha. A ordem não devia parecer assustadora a guerreiros ainda encorajados pelos entusiasmos de uma vitória recente. Não foi porém assim – e em certa ocasião os barcelenses, amedrontados pelos desesperados ataques da moirisma, abandonaram o seu posto de honra e largaram a fugir desordenadamente, como se todo o Islão, com Maomé a frente, tiv…

A Planta de Guimarães de 1569

A planta de 1569 (clicar na imagem, para ampliar)


Acaba de ser apresentada ao público a edição da Sociedade Martins Sarmento da já célebre planta de Guimarães do século XVI, que actualmente se encontra na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Trata-se de uma peça singular, de cuja origem pouco se sabe. Não conhecemos em que condições terá sido produzida, apenas que pertenceu à biblioteca de Diogo Barbosa Machado, escritor e bibliógrafo do século XVII, autor da primeira obra de referência bibliográfica portuguesa (a Bibliotheca Lusitana, Historia, Critica e Chronologica, na qual se comprehende a noticia dos autores portuguezes, e das obras que compozeram desde o tempo da promulgação da Lei da Graça, até o tempo presente, que começou a ser publicada em 1741). Em 1770, Barbosa Machado doou os livros e os manuscritos da sua notável biblioteca ao rei D. José I, quando se tratava de reconstituir, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, a Biblioteca Régia, que havia sido destruída com o terramoto e …

Como eram diferentes, as Nicolinas, antigamente

No ano de 1857, foram como as descreveu o jornalista da Tesoura de Guimarães. Como se segue:


S. Nicolau. – Este festejo escolástico não foi tão pomposo e agradável como se esperava e estava premeditado; isto não só por ocorrências inesperadas, mas também por melindres e caprichos, na nossa opinião, mal entendidos. Se não pertencêssemos a esta ilustre classe, talvez não pugnássemos tanto pelo seu crédito; e, se notamos defeitos, é só com o fim de os vermos remediados. O público está acima de tudo, e o público não tem culpa nas ofensas ou caprichos dos particulares.

O pregão anunciador do festejo ia vistoso e magnífico. A figura de Camões seguida daquelas que representavam as faculdades da Universidade de Coimbra, mostravam o apreço que as ciências e a literatura dão ao nosso primeiro poeta. – Se haviam de alterar o programa, deviam também mudar a hora da saída, porque em muitas partes deixou ele de ser ouvido, e quando mesmo o Pregoeiro tivesse peito de bronze, e não se achasse tão incom…