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A mostrar mensagens de Outubro, 2009

Do nascimento de António Lobo de Carvalho

O Largo da Misericórdia, numa fotografia de 1890. A Rua das Flores, onde nasceu António Lobo de Carvalho, corria pelo lado esquerdo da fotografia. Foto da Casa de Sarmento.


Do notável “poeta fescenino” António Lobo de Carvalho não conhecemos o retrato. Da sua biografia, também não sabemos muito. Os que se debruçaram sobre a história da sua vida, como Natália Correia, dizem que “nasceu em Guimarães, provavelmente em 1730”. O Padre António Caldas registou que António Lobo “nasceu em Guimarães pelos anos de 1730, tendo por pais Diogo Ferreira da Silva e Jerónima Lobo, e viveu por muitos anos e falta de meios na Rua de Santa Rosa de Lima”.

Camilo Castelo Branco, que o chamou de “ave rara”, escreveu que “o poeta satírico António Lobo de Carvalho, falecido em Lisboa aos 26 de Outubro de 1787, nasceu em Guimarães, não se sabe precisamente quando. Era filho ilegítimo de fidalgo, e tinha em Vila Real parentes maternos que o educaram nas letras, consoante os frades da terra podiam ministrar-lha…

Desde que nasce o sol até que é posto

Desde que nasce o sol até que é posto
Governa o lavrador o curvo arado,
E de anos o soldado carregado
Peleja, quer por força, quer por gosto:

Cristalino suor alaga o rosto
Do barqueiro, do remo calejado;
Do cascavel ao dente envenenado
Anda o rude algodista sempre exposto:

Trabalha o pobre desde a tenra idade;
O destro pescador lanços sacode
Para escapar da fome à atrocidade;

Todos trabalham, pois que ninguém pode
Comer sem trabalhar; somente o frade
Come, bebe, descansa e depois fode.

António Lobo de Carvalho, poeta português do séc. XVIII. Nasceu em Guimarães.

Traços de Guimarães

Guimarães a traço de caneta. Uma boa desculpa. Um blogue de Alexandre Reis. A Seguir.

Guimarães: mãe ou madrasta?

Se acaso em Guimarães um rio houvera

com ninfas pelas margens em cabelo

e espuma donde brota a de Citera


Eu cantaria o Rei e o seu Castelo,

a velha Igreja, Mumadona austera,

Pedralva – o Velho, e até qualquer camelo,


Se acaso em Guimarães tal coisa houvera.

[M. Branco de Matos, Este Chão, Esta Cidade (Guimarães – um roteiro poético), Guimarães, 2008, p.7]



Gostar de Guimarães não se constrói, nasce connosco.

Costuma dizer-se que Guimarães é "má mãe e boa madrasta".

[Rui Vítor Costa, O Comércio de Guimarães, 7 de Outubro de 2009]




Um dos traços que mais me fascina em Guimarães está no modo aberto como esta cidade encanta e se deixa amar por aqueles que a descobrem. Ao longo dos tempos, muitos têm sido os que, vindos de outras paragens, entre tantas escolhas possíveis, elegeram Guimarães para viver. É que, se ninguém escolhe a terra onde nasce, está ao alcance de qualquer um escolher a terra onde quer viver e fazê-la sua. Guimarães é uma terra generosa, acolhedora e franca. Boa mãe, para o…

Dos incêndios

Guimarães, 23 de Outubro de 2009

A notícia do incêndio de dia 23, na rua de Camões, renovou um velho debate sobre as condições de segurança nas construções antigas de Guimarães situadas no Centro Histórico e na respectiva "zona tampão". Essa é uma discussão importante. Pode contribuir para que se não deixe cair a guarda em matéria de prevenção, mas a verdade é que não há nenhum meio para tornar aquelas velhas construções imunes a incêndios. A solução seria a substituição dos materiais e técnicas de construção tradicionais, em que o granito se conjuga com a taipa de fasquio e a taipa de rodízio, por materiais incombustíveis, promovendo-se a betonização dos edifícios. Mas aí já não estaríamos a falar, seguramente, do Centro Histórico de Guimarães.

Incêndios sempre os houve e, certamente, sempre os haverá. Mas a cidade sempre se soube recompor a seguir às grandes catástrofes que a atingiram ao longo da sua história.

Não faltam memórias de grandes incêndios. Um dos mais terríveis d…

Um problema de ‘lana caprina’

Guimarães é uma cidade com as suas curiosidades. Uma delas reside no facto de, por aqui, os "historiadores" parecerem brotar às catadupas, de onde menos se espera. Dá-se um pontapé numa pedra e saltam dois "historiadores" de baixo dela. O mais certo, é serem especialistas num dos ramos mais obscuros dos estudos históricos nacionais, a Idade Média. O que não falta por aí são "medievalistas de bancada", que nunca entraram num arquivo e que são incapazes de ler e de interpretar um documento medieval, por manifesta iliteracia paleográfica, mas que transluzem certezas em matérias em que os humildes historiadores profissionais apenas conseguem avançar, e muito à cautela, com dúvidas e incertezas.

Não tenho por hábito discutir medicina com médicos, nem leis com juristas, nem gáspeas com sapateiros. Do mesmo modo, não discuto história com qualquer um, pelo que há muito adoptei o hábito higiénico de ignorar as "obras" desses historiadores adventícios. E, …

O Desafio de 2012 (9)

[Ler texto anterior]Joaquim Novais Teixeira, nascido em Guimarães em 1899, ganhou o Mundo.
Emigrante em Espanha desde os 20 anos, ali frequentou o meio literário e artístico, tendo-se relacionado com vultos da cultura espanhola do seu tempo, como Unamuno, Garcia Llorca, Pio Baroja, Diez Canedo, Valle-Inclán, Luís Buñuel. Durante a República Espanhola, colaborou com o Presidente Manuel Azaña, tendo chefiado o Serviço de Imprensa Espanhola. Viveu de perto os acontecimentos da Guerra Civil. Os textos que publicou em diversos jornais sobre a República espanhola, hoje quase ignorados, constituem um dos mais notáveis contributos para o conhecimento daquele período intenso e conturbado da história de Espanha. Finda a Guerra, refugiou-se em França. Impedido pelo regime salazarista de regressar a Portugal, a invasão da França pelas tropas de Hitler conduziu-o ao exílio no Brasil. Aí, dirigiria a Interamericana, serviço que, no Brasil, apoiava a causa dos Aliados.
Colaborou na Grande Enciclopédia…

Cónego José Maria Gomes, republicano

O Cónego José Meria Gomes, numa caricatura de José de Meyra de 1905. Da colecção da Sociedade Martins Sarmento. Quando a República ainda dava os primeiros passos em Portugal, o Cónego José Maria Gomes escreveu ao jovem Administrador do Concelho de Guimarães, Eduardo de Almeida, uma carta em que dava conta da sua adesão à causa republicana, mais tarde publicada no jornal Alvorada:

Meu exm.º am.º
Após umas enormes férias (não falando em feriados) que oxalá o novo regime reduza, como já reduziu as galas, entro hoje em exercício de funções professorais, no Liceu desta cidade. Apraz-me vir declarar neste momento a v.ª ex.ª digníssima autoridade administrativa local, – que adiro franca e lealmente à República que a evolução nos trouxe no rápido carril dos desmandos e descrédito do regime extinto.
Adiro não com o simples acatamento da impotência, não com a mera obediência passiva, mas com a rasgada afirmação da minha simpatia e da firme crença, em que estou de que, com o advento da República, r…

Capitão Luís de Pina Guimarães, republicano

O antigo Café Oriental, obra do Capitão Luís de Pina
Do Capitão Luís de Pina, militar e artista vimaranense (entre as suas obras conta-se saudoso Café Oriental), defensor da causa republicana, aqui fica um texto publicado na Alvorada, no início de 1911:
Sosseguem...
Quem ouvir a oposição fazer grande celeuma por falta das constituintes ou por abuso da justificada ditadura do governo provisório e não estiver bem precavido ou orientado do que realmente têm sido entre nós as eleições para deputados, há-de naturalmente supor que desde o dia 5 de Outubro tudo corre mal por falta de parlamento, e que elas se deviam ter realizado desde logo.
Ora o governo provisório não devia fazer eleições pela ignóbil porcaria, e uma lei eleitoral não podia decretar-se do pé para a mão sem aturado estudo fundamentado nas conveniências da acção reformadora das novas instituições, às quais o governo devia prestar todas as suas mais urgentes atenções e energias, sem perder de vista a sua própria e indispensável d…

Uma imagem para 2012

José de Guimarães, símbolo do logotipo do ICEP (1993)
Nos tempos que correm, a imagem corporativa constitui uma das principais marcas da identidade de uma instituição ou de um evento. O elemento central dessa imagem, o logotipo, mais do que um mero sinal gráfico, deve sera marca: uma metáfora visual da identidade do objecto a que se refere. Para um acontecimento como a Capital Europeia da Cultura, o logótipo deve entrelaçar elementos caracterizadores da terra e das gentes de Guimarães, assim como referenciais simbólicos, imateriais e intangíveis, simultaneamente locais e europeus. Devendo ser, por natureza, um objecto simples, o símbolo deverá agregar um conjunto complexo de elementos identificadores facilmente compreensíveis. Ainda não foi definida a imagem corporativa de Guimarães 2012, tendo sido anunciada a intenção de a escolher através do lançamento de um concurso internacional. Parece-me um bom caminho, embora sinta que vai sendo tarde para arrancar com esse processo. Julgo que…

Jerónimo de Almeida, republicano

Jerónimo de Almeida, numa caricatura de José de Meyra de 1905. Da colecção da Sociedade Martins Sarmento.
De Jerónimo de Almeida, poeta vimaranense, defensor da causa republicana, aqui fica um texto publicado na Alvorada, no início de 1911:
Propaganda rural
Vai iniciar-se uma série de conferências, para propaganda rural do novo regime republicano, pelas diversas povoações e subúrbios do nosso concelho.
Elas traduzirão um alto interesse para a consolidação da vasta obra da República, e, sem ela, dizer se que estamos numa nação de cidadãos republicanos – é um erro, pois que a verdadeira doutrina republicana não penetrou ainda na consciência das multidões da província. Longe, muito longe estamos ainda de que isso represente uma verdade consumada.
A República preparou-se e educou unicamente a população da capital e das grandes cidades, especializando o sul do país. Para o norte, e, sobretudo, na massa popular, ela consistia numa utopia, quando se não urdisse à volta da sua palavra uma ideia de…

Da cidade extraordinária e da cidade ordinária

Há poucos dias, quando já quase encerrava a campanha eleitoral para as eleições autárquicas, foi despoletada em Guimarães uma polémica originada na leitura de declarações ao jornal Público, de 3 de Outubro, de Álvaro Domingues, geógrafo que tem colaborado com a Câmara Municipal de Guimarães, nomeadamente no âmbito da revisão do Plano Director Municipal, a propósito da distinção que faz entre aquela que classifica como a "cidade extraordinária" (o Centro Histórico classificado) e a "cidade ordinária". Dizia Álvaro Domingues:

"Guimarães sempre teve mais de dois terços da população e do emprego fora do perímetro urbano. E sempre acharam normal; agora cavou-se uma trincheira. Só se preocupam com o centro histórico, com a cidade extraordinária. Do outro lado da trincheira, está a cidade ordinária, a genérica, que não tem marca e ninguém vê... As pessoas agarram-se ao que acham que conhecem, e, à medida que vai aumentando o trauma da perda da cidade extraordinária, a…

Sobre a obra de Soares dos Reis em Guimarães

António Soares dos Reis
A notícia de Samuel Silva para o Público acerca do "achamento" das relíquias de S. Gualter, na Igreja de S. Francisco, em Guimarães, fazia referência a uma imagem da Senhora das Dores atribuída a António Soares dos Reis. Trata-se efectivamente de uma obra daquele artista, que deu entrada na igreja na década de 1870. Esta não foi a única produção do grande escultor para S. Francisco de Guimarães. Saiu do seu escopro, também ,uma imagem do Coração de Maria, paga com esmolas e donativos dos fiéis, que foram recolhidos, segundo João Lopes de Faria, pelo padre comissário dos terceiros de S. Francisco, António Joaquim Teixeira, pelos irmãos Ferreiras de Abreu e por D. Maria de Belém, José e padre António. Deu entrada na Igreja em finais de Maio de 1877, tendo sido benzida solenemente numa festividade religiosa que teve lugar no primeiro dia de Junho desse ano.
Porém, a escultura de Soares dos Reis não conquistaria as simpatias dos devotos (João Lopes de Faria…

As relíquias de S. Gualter

Fotografia do jornal Público
Por estes dias, é notícia a descoberta das relíquias de S. Gualter. Desses despojos já tínhamos a informação de que, no dia 4 de Agosto de 1577, teriam sido trasladadas para "um sepulcro de pedra dourada, numa capela, levantada em colunas", edificada pela vila de Guimarães. Mais tarde, por volta de 1800, terão passado para uma das capelas da igreja de S. Francisco, onde permaneceram até à década de 1870, altura em que o altar em que estavam foi ocupado pela imagem da Senhora das Dores, esculpida por Soares dos Reis. No início da década de 1880, o Padre António Ferreira Caldas afirma que as relíquias de S. Gualter estavam depositadas sobre a banqueta do altar do Descendimento, na Igreja de S. Francisco. Nessa altura, estariam já tal como foram encontradas agora. Aliás, o local e a forma como estavam guardadas as relíquias de S. Gualter eram há muito conhecidas, como o demonstra o ensaio biográfico "S. Gualter de Guimarães", publicado na …

Autárquicas 2009 – reflexões avulsas sobre as propostas para a cultura

Quase a entrar no período de reflexão para o próximo acto eleitoral, partilho aqui algumas reflexões avulsas, que resultam da leitura dos programas dos partidos candidatos ao município de Guimarães.1. Em primeiro lugar, até pela dificuldade que tive para aceder a alguns dos programas eleitorais dos partidos, noto que, em regra, os programas são encarados como documentos sem importância e escritos com a ideia de que ninguém os lê, apenas servindo para cumprir uma mera formalidade. Está demasiado enraizada entre nós a tradição de que os programas não são para cumprir. E o escrutínio público também não é um costume muito nosso: hoje já ninguém se lembra do que se prometeu há quatro anos e não nos preocupamos em verificar o nível de cumprimento dos programas eleitorais, em apurar se quem foi poder concretizou o que prometera quando foi a votos, nem se aqueles que foram oposição apresentaram as propostas que se comprometeram a apresentar ao longo do mandato.
2. Entre nós também vai faltando…

Mário Cardozo, republicano

Mário Cardozo, numa caricatura de José de Meyra de 1907. Da colecção da Sociedade Martins Sarmento.
No dia em que a República perfazia um ano, Mário Cardozo, que viria a ser arqueólogo e Presidente da Sociedade Martins Sarmento, publicou no jornal republicano Alvorada um texto sobre aquela que considerava ser a maior obra da República, a "emancipação da consciência":A CAMINHOA maior obra iniciada e a completar dentro das instituições republicanas é, certamente, a emancipação da consciência. Com verdade, jamais um povo pôde chamar-se civilizado e emancipado, sem que na sua alma se tenha prendido e arraigado com amor o sentimento de soberania, o orgulho da vontade própria, a nobreza da independência, a luz da libertação espiritual.Um país que num século avançado como o nosso, viva ainda subjugado à passividade duma fé grosseira, acorrentado ao círculo de ferro do velho fanatismo impotente para dominar as pulsações e o latejar dum cérebro que pensa – é um país de deserdados e de…

Autárquicas 2009 - propostas do PCTP/MRPP para a cultura

O PCTP-MRPP é um pequeno partido que concorre às próximas autárquicas em Guimarães com um pequeno programa, onde há uma singular proposta para a Capital Europeia da Cultura (a criação de um Observatório de Astronomia na Penha) e uma singela proposta cultural (o apoio a associações desportivas e culturais). E nada mais.

Eleições autárquicas 2009 | Programa eleitoral do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses - MRPP
Extensão: 410 palavras
Menções à cultura: 2
Menções à Capital Europeia da Cultura: 2
Espaço dedicado à Capital Europeia da Cultura: 25 palavras
Espaço dedicado à cultura: 21 palavras

[Autárquicas 2009: ler todos os textos]

Autárquicas 2009 - propostas do Bloco de Esquerda para a cultura

O Bloco de Esquerda é um fenómeno sociológico de difícil de compreensão: apesar da sua reduzida penetração, inserção social e visibilidade em largas franjas do território português, obtém, em eleições nacionais, resultados significativos. É o que sucede em Guimarães, como se viu nas últimas eleições legislativas. No próximo domingo veremos se há uma transposição directa do resultado nacional para o resultado em eleições locais.

O programa eleitoral do Bloco de Esquerda para as próximas eleições autárquicas em Guimarães reflecte a reduzida implantação orgânica do partido no nosso concelho, revelando, a muitos níveis, um deficiente conhecimento da realidade local, que resulta em algumas ideias peregrinas, como a de colocar contadores de tempo em todas as passadeiras, sem que se perceba para que sejam, nem como sejam tais contadores (a não ser que a ideia seja colocar semáforos com temporizadores em todas as passadeiras, o que transformaria Guimarães numa cidade sui generis no que respeit…

Autárquicas 2009 - propostas do CDS-PP para a cultura

Para as autárquicas de 2009, as preocupações do CDS centram-se nas questões económicas, às quais é dedicada a maior fatia do respectivo programa eleitoral. Este partido não desenvolve uma linha programática para a política cultural, optando por avançar com algumas (poucas) ideias avulsas. Para além da proposta de criação de uma Carta Cultural e Associativa (com o propósito de “diagnosticar as necessidades existentes com vista a uma melhor planificação de novos equipamentos e iniciativas”), no capítulo dedicado à cultura constam mais três ideias: a criação de uma “imagem de "marca" para o artesanato vimaranense”, a valorização das festas da Cidade, e o auxílio às “entidades Nicolinas na preservação da Tradição Nicolina e das Festas Nicolinas”. No capítulo em que trata da diversificação do mundo rural, está inscrita uma outra proposta de natureza cultural, para ser lançada no âmbito da Capital Europeia da Cultura 2012: a criação de um Museu Virtual do Mundo Rural.

As referência…

Alfredo Pimenta, republicano

No dia 23 de Novembro de 1910, Alfredo Pimenta proferiu, na Associação dos Empregados do Comércio de Guimarães uma conferência, marcada por um espírito republicano inflamado, que ficou na memória de quem a escutou e que encheu o primeiro número do semanário Alvorada, dirigido por A. L. de Carvalho. O tema sobre que falou foi “A obra social da República”. Aqui fica um pequeno extracto, em que se refere, nomeadamente, à Sociedade Martins Sarmento:

Cidadãos de Guimarães: eu amo profundamente, entranhadamente, a minha terra, a nossa terra. A ela me prendem afectos de família. Nela sonhei os primeiros sonhos, nela criei as primeiras ilusões. Às vezes, cerro os olhos e evoco o passado. Tristemente, evoco-o. E sombras surgem, sombras de mortos, sombras de afastados. Dentre as primeiras, deixem-me citar uma: Amadeu de Freitas, carácter nobre, amigo leal que tantas vezes me consolou em horas amargas, que tantas vezes me acompanhou em horas alegres. Dentre as segundas, Gonsalo de Meira, outro am…

Autárquicas 2009 - propostas da CDU para a cultura

Embora centrando o essencial das suas preocupações nas políticas sociais, a CDU é, entre as candidaturas às próximas eleições para as autarquias vimaranenses, aquela que apresenta um programa para a cultura melhor articulado. Desde logo porque, não deixando de relevar a importância da Capital Europeia da Cultura, não submerge nesse acontecimento todas as suas propostas para a intervenção cultural da CMG.

A matriz da política cultural proposta pela CDU parte de um conjunto de referenciais centrados na ambição de “democratização da cultura, entendida e praticada enquanto factor de emancipação”, que fundamentam as propostas de acção cultural que são enunciadas.

De entre as propostas da CDU, destaco as que se referem à criação de um Conselho Municipal de Cultura; de um espaço de produção e mostra de novos valores no contexto da Arte Contemporânea; de três museus-escolas: Museu-Escola das Termas no edifício dos Banhos Velhos das Taipas, Museu-Escola das Cutelarias, nas Taipas, Museu-Escola d…

A proclamação da República em Guimarães

O largo da Oliveira, nos primeiros anos do século XX. Ao fundo, os antigos Paços do Concelho, local onde pela primeira vez foi hasteada a bandeira da República em Guimarães.

As repercussões em Guimarães da instauração da República, em 5 de Outubro de 1910, foram noticiadas do modo que se segue pelo jornal O Comércio de Guimarães, de orientação monárquica:


Proclamação da República

Como em quase todas as terras do país, em Guimarães também houve manifestações de regozijo pelos adeptos do novo regime.

Os republicanos têm sido correctos e bastante moderados nas suas manifestações, não havendo, no meio de tanto movimento, uma única nota discordante.

A não ser vivos comentários, discussões e manifestações, nada de anormal se tem passado em Guimarães.

Algumas casas religiosas têm estado policiadas, o que a nosso ver seria desnecessário, pois cremos que os vimaranenses as respeitariam, pois que todas estão no firme propósito de respeitar e fazer respeitar a lei.

No dia 8 foi solenemente proclamada a…

Autárquicas 2009 - propostas do PSD para a cultura

O programa do Partido Social-Democrata para as eleições de 2009 para o Município de Guimarães anuncia o propósito de “construir um caminho alternativo ao da actual maioria socialista”. No que toca à cultura, não obstante a intenção enunciada, encontramos naquele documento algumas similitudes com o do PS, embora sejam óbvias as diferenças de forma e de conteúdo.

Há exactamente duas décadas que o Partido Social-Democrata está afastado do governo de Guimarães. Costuma dizer-se que o poder desgasta. Não o nego. Porém, olhando para o programa do maior partido da oposição e comparando-o com o do partido do poder, tendo a pensar que o exercício da oposição, pelo menos no que é aparente, desgasta mais do que o poder, uma vez que a rotina de lidar a tempo inteiro com os problemas do concelho conduz a um conhecimento aprofundado dos dossiês, que se revela de grande utilidade na hora de se passar para o papel um programa eleitoral. Este handicap ajuda a perceber o facto de o programa do PSD cont…

Autárquicas 2009 - propostas do PS para a cultura

Quando, em 2005, o cabeça de lista do Partido Socialista à Câmara Municipal de Guimarães, António Magalhães, anunciou a intenção de promover o estudo de uma possível candidatura da cidade-berço a Capital Europeia da Cultura, “eventualmente em coligação com outros concelhos”, foi acusado de populismo e de estar a criar ilusões. Recordo que, na altura, estava em cima da mesa a possibilidade de uma candidatura conjunta do quadrilátero urbano Guimarães, Braga, Barcelos e Famalicão, na sequência de um desafio lançado pelo Reitor e pelo Conselho Cultural da Universidade do Minho. Esta candidatura não se concretizaria, porque Braga se colocou de fora, uma vez que os seus responsáveis autárquicos alimentavam o projecto de uma candidatura a solo a CEC 2012. Tanto quanto se sabe, não se chegou a concretizar qualquer estudo sobre uma eventual candidatura de Guimarães, o que não obstou a que, em Outubro de 2006, fosse anunciada a decisão do Governo de levar Guimarães a Capital Europeia da Cultura…