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A mostrar mensagens de Janeiro, 2009

O 7.º centenário da Morte de Afonso Henriques em Guimarães (9)

Monumento a D. Afonso Henriques Julgamos poder noticiar que efectivamente se não realizará no dia 6 do próximo mês de Dezembro a solenidade do lançamento da primeira pedra do monumento que nesta cidade se vai erigir ao venerando fundador da monarquia, e que, por conseguinte, se não celebrará oficialmente o septicentenário do glorioso herói. É isso o que consta da resolução tomada pela Câmara Municipal em sua sessão de 18 do corrente, e o que foi comunicado ao digno presidente da comissão central do monumento em ofício de 19. É certo também nunca oficialmente se resolveu que se celebrasse o septicentenário, e que tudo o que a este respeite se tem dito e propalado, não passa de bons desejos dos que, tomando a nuvem por Juno, imaginaram já resolvido e deliberado o que era só sugerido pela sua fantasia de patriotas à outrance. Historiemos, para darmos por provado o que dizemos. A ideia da celebração do sétimo centenário de D. Afonso Henriques apareceu a público há um ano, pouco mais ou menos,…

O 7.º centenário da Morte de Afonso Henriques em Guimarães (8)

Centenário de D. Afonso HenriquesA exma. câmara resolveu, em sessão de quarta-feira, não abraçar a lembrança da comissão do monumento a D. Afonso Henriques, para que fosse lançada solenemente a primeira pedra no dia 6 de Dezembro, porque exigindo a inauguração solene de um monumento ao fundador da monarquia festejos brilhantes que causariam avultadas despesa, não tem no seu orçamento verba para acorrer a tais despesas. Não publicamos no n.º anterior do nosso jornal esta resolução, por nos ter sedo fornecida um pouco mais tarde. Agora duas palavras acerca da resolução do senado vimaranense. Se chamarmos à resolução da câmara - um desastre camarário - não aberramos muito da verdade, porque realmente a resolução foi um desastre. Lamentamo-lo e lamentamo-lo profundamente Não tinha verba para acorrer às despesas da solenidade, mas estaria impossibilitada de pedir, pelas vias competentes, autorização para essa verba? Se lhe fosse negada, sobre quem cairia o ridículo? Agora aproveite-se a lição: e…

O 7.º centenário da Morte de Afonso Henriques em Guimarães (7)

Inauguração do monumento a D. Afonso Henriques

Ouvimos dizer que talvez já se não faça, no dia 6 do próximo Dezembro, o lançamento da primeira pedra deste monumento, porque, apesar de estar já escolhido pela Câmara o local para ele, há ainda quem sustente que, no caso notabilíssimo da remoção da igreja de S. Sebastião, o local não deve ser esse, mas outro, e porque é de recear que a estação chuvosa não deixe dar ao acto o lustre e luzimento que ele está pedindo.

Conquanto seja nossa opinião que não procede a razão dada a respeito da escolha do local, pelos fundamentos que apresentamos em um dos nossos números passados, não somos todavia tão intransigentes que não concordemos em que é de justiça pesar bem todas as razões pró e contra, e dar, em certo modo, uma satisfação à opinião que desaprova a erecção do monumento no centro da actual praça regularizada do Campo de S. Francisco, ou à outra, se esta for a atendida, como não é de esperar. A segunda razão do adiamento é que nos parece ter…

O 7.º centenário da Morte de Afonso Henriques em Guimarães (6)

Inauguração do monumento a D. Afonso Henriques

Sob pretexto dos dias chuvosos e frios de Dezembro, aventou-se ontem a ideia do adiamento da inauguração do monumento a D. Afonso Henriques, que, como a ilustrada comissão tinha resolvido, havia do ter lugar no dia 6 de Dezembro, aproveitando-se a ocasião do 7.° centenário de D. Afonso.

Sabemos que a comissão ainda não tratou de semelhante assunto. Isto porém não exclui a ideia de ainda resolver o adiamento, som contudo acharmos muito plausíveis os motivos que ontem se espalharam para apalpar ou dispor a opinião pública...

O ano passado, quando se tratou do centenário de S. Dâmaso ninguém se lembrou dos dias chuvosos e frios de Dezembro!

É possível, ou pode fazer-se possível que o empreiteiro do cabouco não o dê concluído para o dia da inauguração, e então, neste caso, o motivo é justo, porque nada se podo fazer som ele estar concluído.

Segundo ouvimos dizer, o sr. Marquês do Valada, ou seja adiada ou não a inauguração, tenciona assistir a ela…

O 7.º centenário da Morte de Afonso Henriques em Guimarães (5)

Monumento a D. Afonso Henriques

Como era de esperar, a Câmara Municipal, na sua última sessão, resolveu que o monumento ao glorioso fundador da monarquia seja levantado do centro da actual praça regularizada do Campo de S. Francisco.

A primeira pedra deste monumento há-de ser lançada no dia 6 do próximo Dezembro, sétimo centenário do vencedor de Ourique, e por isso vai em breve proceder-se aos trabalhos indispensáveis para que essa cerimónia se realize nesse dia.

Religião e Pátria, n.º 40, 38.ª série, 14 de Novembro de 1885

O 7.º centenário da Morte de Afonso Henriques em Guimarães (4)

Centenário de D. Afonso Henriques

Como dissemos no artigo anterior, à comissão do monumento é a quem cumpre, na nossa opinião, tomar a iniciativa dos festejos para a celebração do centenário. A dívida enorme em que estamos para com o herói de Ourique, para com o vulto gigante das façanhas épicas de outrora, e que nos legaram os nossos antepassados, pesa ainda sobre a geração presente, e por isso é preciso solvê-la, mas solvê-la condignamente.

A comissão composta de distintos cavalheiros, nossos conterrâneos, todos respeitabilíssimos, todos patriotas, não pode nem deve permanecer inactiva perante essa época memorável de 6 de Dezembro, não pode nem deve cruzar os braços perante a sensação que hoje domina todos os filhos de Guimarães. O grito de alarme que soltámos ao espaço, ecoou profundamente no coração dos vimaranenses, porque a realização do centenário estava na mente de todos, e a todos se impunha como necessária, como precisa, como inadiável.

Parar no momento actual, seria cerrarmos …

O 7.º centenário da Morte de Afonso Henriques em Guimarães (3)

As celebrações, em Guimarães, do 7.º centenário da morte de Afonso Henriques estiveram envolvidas em polémica, num tempo em que se discutia o local onde seria implantada a estátua a D. Afonso Henriques, que na altura estava a ser executada pelo escultor Soares dos Reis, avançando-se com a ideia do lançamento da primeira pedra no dia em que se assinalava o centenário, 6 de Dezembro de 1885.

Monumento a D. Afonso Henriques

Diz o nosso colega do “Comércio de Guimarães” que, para se abrir o cabouco para o monumento a D. Afonso Henriques, cuja primeira pedra há-de ser lançada no próximo dia 6 de Dezembro, se espera apenas que a Câmara Municipal indique o ponto em há-de ficar o monumento, e acrescenta que, na opinião de um cavalheiro que foi ouvido a esse respeito, a estátua deve levantar-se no centro do actual campo de S. Francisco, tendo em atenção as dimensões que lhe foram dadas no projecto.

Não sabemos o que a Il.ma Câmara resolverá, mas quer-nos parecer não resolverá de outro modo. A pro…

O 7.º centenário da Morte de Afonso Henriques em Guimarães (2)

Centenário de D. Afonso Henriques

A redacção do “Comércio de Guimarães” resolveu dar um número único no dia 6 do Dezembro em comemoração do 7.° centenário de D. Afonso Henriques, primeiro rei português e nascido na nossa pátria.

O número único será colaborado por alguns dos nossos mais distintos escritores.

O Comércio de Guimarães, n.º 135, 2.º ano, 5 de Novembro de 1885

O 7.º centenário da morte de Afonso Henriques em Guimarães (1)

Em finais de 1885, quando se aproximava o dia 6 de Dezembro, em que passavam 700 anos sobre a morte de D. Afonso Henriques, surgiram em Guimarães diversas movimentações para que a data fosse assinalada de modo condigno. A título de exemplo, aqui se transcreve o segundo texto de uma série de cinco que foram então publicados no "O Comércio de Guimarães":

CENTENÁRIO DE D. AFONSO HENRIQUES
II

Assim como de pequenas nascentes de água que recebendo no percurso de seu trajecto o tributo de outras nascentes e de pequenos riachos dos terrenos por onde vão passando, chegam a formar-se grandes rios, formidáveis cursos de água, assim também a dívida em que estamos para com o herói de Ourique longe de estar saldada, avultando de século para século, de geração para geração, sempre crescendo e sempre avolumando, apresenta-se-nos hoje tamanha, tão importante, que, para a saldarmos, se nos antolha insignificante a inauguração da estatua pedestre que, lhe vamos erigir, que para a solvermos, se n…

Escola de Desenho ou Escola Industrial?

No último dia de Março de 1884, foi discutida na Câmara dos Deputados a questão da criação em Guimarães de uma Escola de Desenho ou de uma Escola Industrial. O assunto foi levantado pelo deputado Wenceslau de Lima. No Diário da Câmara dos Senhores Deputados, encontrámos a transcrição deste debate:

“O sr. Wenceslau de Lima: - Mando para a mesa a declaração do motivo por que faltei a algumas sessões da câmara, sendo esse mesmo motivo que me impediu de estar presente quando se discutiu e foi votado o orçamento rectificado.

Por essa ocasião, o sr. Mariano de Carvalho apresentou uma proposta para ser incluída no orçamento a verba necessária para ocorrer à despesa que ocasionasse a criação de uma escola de desenho em Guimarães. Eu não aprovaria essa proposta se estivesse presente, porque a cidade de Guimarães não precisa do favor de uma escola de desenho. O que faria, era instar com o sr. ministro das obras públicas para que desse cumprimento exacto à lei de 20 de Dezembro de 1864, com que se…

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Anúncio publicado no O Comércio de Guimarães, Guimarães, 11 de Dezembro de 1890.

Guimarães antiga IV

Não sei porquê, mas ela chegou adiante de Nespereira e em vez de tomar a volta da estrada de Vizela, seguiu para Santo Tirso.

E quando foi da Maria da Fonte? Lembram-se?

– Andavam ali a passear em frente da casa onde hoje está o Bernardino, o capitão do 13, omandante do destacamento que estava aqui o alferes do mesmo e o major reformado Leite.

Ouviram-se uns tirozitos para os lados da Conceição.

O que será aquilo? Perguntou alguém ao capitão. Este tira um óculo do bolso assestou-o e disse: “são uns rapazitos que andam aos grilos…”

Despediu-se logo do major e foi o alferes pelo postigo em direito ao quartel.

Dali a pouco um corneta tocava a reunir à esquina do Campos, e depois à esquina das Molianas, e viam-se passar os soldados a correr uns pelo Postigo, outros pela porta da vila e ainda outros por Mata Diabos.

Decorrida que foi meia hora era o Toural invadido por centenares de homens armados com caçadeiras, chuços, bacamartes, foices roçadoiras, o diabo. Pediram no meio de um grande berreir…

Guimarães antiga III

– E quando a sr.ª D. Maria II visitou Guimarães?

Chegou aqui num sábado, 15 de Maio e foi hospedar-se na casa do Cavalinho.

Na quinta e na sexta-feira chegavam de momento a momento, grandes carroças conduzindo toldos, cozinhas, louças, colchões, enfim muita cangalhada pertencente à casa real.

Parece que a sr.ª D. Maria II, julgava que vinha para aqui acampar em algum monte e que não encontraria casa aonde pudesse ser recebida.

As carroças paravam todas à porta do Campos e então diziam aos cocheiros.
– “Levem isso para o paço.”

O paço era na casa do Cavalinho. Todos aqueles campos que a circundavam ficaram coalhados de carros que tinham vindo de Lisboa, do Porto, de Coimbra e de Braga.
Nunca vi tantos carros na minha vida.

– A rainha demorou-se aqui dois dias. Houve iluminações e música e ali junto do “Cruzeiro do fiado” que ficava em frente da casa do Sousa Júnior; levantou-se um rico pavilhão guarnecido a seda azul e branca.
A Senhora D. Maria II quando chegou dirigiu-se para o pavilhão e ali…

Guimarães antiga II

Não havia iluminação pública, de maneira que quando à noite me mandavam levar qualquer encomenda ao estafeta, eu atravessava este largo do Toural com o Credo na boca e a cada passo me encharcava nas poças de água que por aqui havia!!

Era neste largo onde o regimento 18 fazia exercício, mas às vezes também o coronel Pereira lhe passava revista ali no largo da Misericórdia.

Vinha o regimento formado lá de cima dos quartéis com a música, na frente e parava junto da casa dos coutos onde morava o coronel.

Ele saía de casa e ali mesmo lhe passava revista.

Que bonito aquilo era. Hoje não se vê disso.

* * *

– E as portas da cidade? Uma ali à esquina do Bernardino.

Chamava-se o “Postigo”.

Outra à porta da Vila, outra a S. Bento e outra à “Torre dos cães”.

Todas se fechavam à noite, ao toque do recolher, e o sino da Oliveira dava sinal.

* * *

O que tinha graça era o modo de acender os lampiões da iluminação, quando foram postos aí nalgumas ruas.

Aqui no Toural havia dois, na Alfândega outros dois, à Senhor…

Guimarães antiga I

Com o título "Guimarães antiga", num folhetim publicado no rodapé do jornal Ecos de Vizela, saíram umas curiosas memórias acerca da vida em Guimarães em meados do século XIX. Começamos aqui a transcrever esse texto.

GUIMARÃES ANTIGA

Costumam juntar-se na farmácia Barbosa uns bons velhotes conversando alegremente sobre diversos casos que se vão desenrolando diversos que casos que, segundo eles afirmam, nada se parecem com aqueles que há setenta anos aqui se passavam.

Não há nada que mais mo entretenha que escutar a interessantíssima conversa desses honrados negociantes aposentados.

Ainda ontem apanhei três em flagrante.

– Quem nos diria a nós que havíamos de ver estas ruas e estes largos como hoje estão, assim completamente transformados?!

– Quando nós íamos acompanhar os patrões ao teatro velho que era nas casas de Vila Pouca, conduzindo lampiões acesos para eles verem aonde punham os pés!

Ainda lá tenho em casa um desses lampiões!

***

Ali onde se vê hoje a igreja de S. Pedro, que po…

1884

Publicidade: Óleo de Fígados de Bacalhau

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Anúncio publicado no O Comércio de Guimarães, Guimarães, 11 de Dezembro de 1890.