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Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2008

24 de Junho, feriado nacional?

"A Primeira Tarde Portuguesa", painel de Acácio Lino (Assembleia da República)

Circula, nomeadamente em blogues vimaranenses, uma petição promovida pela JSD local para que seja dada mais solenidade ao dia 24 de Junho, enquanto “Dia da Fundação de Portugal”. A iniciativa é estimável e bem intencionada, mas parece-me eivada de algum voluntarismo que a torna potencialmente contraproducente, o que parece aconselhar um pouco mais de ponderação e melhor fundamentação.

O que se pede no abaixo-assinado é “que o dia 24 de Junho de 1128 seja reconhecido, tal como outras efemérides nacionais, de uma forma própria, com a solenidade devida e com a dignidade que a data da Fundação de Portugal merece, transferindo para esta data o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”. A associação de Camões ao 24 de Junho, dia em que se comemora a Batalha de S. Mamede, não parece que faça grande sentido: nada do que se conhece da biografia de Camões o associa àquela data e nada do que s…

Uns versos num papel

Estando a arrumar os papéis, terminados os trabalhos de preparação da exposição O Tempo Tão Suspirado, encontrei entre as páginas de um livro, uns gatafunhos curiosos, que, depois de decifrados, remetem para uma velha tradição muito nossa, a da poesia repentista. Não nos faltam exemplos de produções poéticas deste género, na sua maioria saídas das camadas populares e pouco letradas (o que está muito longe de ser é o mesmo que dizer "pouco cultas"). Mas também os encontramos entre gente erudita que, por puro divertimento, dá largas à admirável arte do improviso, oscilando do registo lírico à verrina estreme. Entre nós o mais destacado cultor deste género foi, sem dúvida, o grande João de Meira.

O anónimo autor dos versos que encontrei naquela folha solta filia-se na mesma linha:

O que ontem te falei vai em anexo
E desta forma cumpro o prometido,
Aproveito e junto-lhe um amplexo
Com o que fica o embrulho mais florido.

Aí tens o Rei, o tal do Reino Unido,
O Tarrafal e o Pomar da tela,

"Respect"

A oliveira faz parte da iconografia vimaranense, estando presente nas suas tradições e no seu imaginário. Está presente no brasão da cidade e dá o nome à sua praça mais emblemática, à Colegiada e à própria Santa Maria.
A Oliveira de Guimarães é um dos símbolos desta terra que honra os seus pergaminhos e se honra da sua história, do seu património e das suas tradições. Passo por ela e espanto-me , ao encontrá-la garrotada por uma cercadura de televisões e a servir de enquadramento à publicidade de uma loja que promete um LCD a partir de 15 € por mês. Respect (respeito) vai sendo o lema do campeonato da Europa de futebol. Um pouco mais de respeito para com um dos símbolos que mais marcam a nossa identidade, é o que vai faltando. Respeito, bom-senso e bom gosto.

Guimarães, 18 de Junho de 1808

Na tarde de 18 de Junho de 1808, com Junot a governar Portugal a partir de Lisboa e o famigerado General Loison, o Maneta, a ameaçar por perto, o povo de Guimarães levantou-se e ergueu a sua voz aclamando o Príncipe Regente D. João, futuro rei D. João VI. Para assinalar esta data e os actos heróicos que se lhe seguiram, a Sociedade Martins Sarmento organizou uma exposição comemorativa sob o título O Tempo Tão Suspirado. A inauguração terá lugar no dia 18, pelas 17:30. Na altura, será lançado o catálogo da exposição, que certamente se tornará numa obra de referência para a compreensão daquele período tão conturbado da nossa história local e nacional. O catálogo inclui, entre outros textos a transcrição integral de uma pequena obra, muito rara, publicada naquele mesmo ano de 1808, a Relação do que se praticou em Guimarães, em aplauso da feliz restauração deste reino, de onde transcrevemos o excerto que se segue: “A sempre fiel, nobre, e valorosa Vila de Guimarães, que tem a honra de ser o…