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A mostrar mensagens de 2007

Sobre o projecto para o Toural - II

No início do debate sobre os 5 projectos para Guimarães, deixei aqui a minha reflexão sobre a intervenção projectada para o Toural e a Alameda. Agora que o debate poderá estar no fim (uma vez que foi anunciado que se pretendia fechá-lo no final do ano que está prestes a acabar), confesso que tenho mais dúvidas do que há três meses. Devo prevenir que a minha participação nesta discussão não é feita a partir do lado de fora. Faço parte dos que olham para o Toural desde o lado de dentro, já que me incluo entre os que residem e trabalham perto do Toural, fazendo o seu atravessamento, quase sempre a pé, vezes sem conta. Portanto, o que se fizer no Toural, vai necessariamente interferir com o meu quotidiano. Mas também vai alterar a vida na cidade e o modo como nós a (vi)vemos. Defendo que o Toural deve ser objecto de uma intervenção que o revitalize, que lhe acrescente condições para que volte a ser um centro cívico relevante em Guimarães e sinto que o projecto em discussão tem virtudes que …

Ainda o Toural em debate

A propósito do que tenho dito, nomeadamente neste espaço, sobre o Toural e o projecto de intervenção naquela praça emblemática, ainda em discussão pública, vou recebendo algumas reacções curiosas. Num primeiro momento, eu seria algo próximo de um energúmeno que andava a fornecer argumentos aos que pretendiam retirar as árvores do Toural; depois, houve quem me passasse a olhar como um troglodita que, trancafiado em cavernas históricas, resiste à mudança e quer que o Toural fique como está. Não me parece que aquelas duas condições que me têm sido atribuídas sejam compatíveis entre si. A propósito do debate sobre o Toural que teve lugar Sociedade Martins Sarmento, no dia 12 de Dezembro, encontrei nos nossos jornais dois artigos que me merecem alguma reflexão. O primeiro saiu no Expresso do Ave (edição de 19 de Dezembro). É um conjunto de três textos não assinado onde se afirma que, no debate, esteve, de um lado, a Câmara e, do outro “a sociedade civil, alegadamente organizada para bater o …

Para uma geografia de Alberto Sampaio

Os primeiros tempos da vida de Alberto Sampaio foram passados na casa onde nasceu, na rua dos Mercadores, em Guimarães, morada do seu tio-avô José Teixeira, Cónego da Colegiada de Guimarães, que viria a falecer em 1843. Ainda falta saber onde viveu nos anos que se seguiram, mas parece certo que até aos 10 anos o essencial da sua existência terá passado por Guimarães, onde frequentou a aula de Tomás Guilherme. As primeiras aprendizagens terão sido concluídas no Colégio de João Luís Correia de Abreu, em Landim, cuja aula começou a frequentar, com o irmão José, no dia 12 de Janeiro de 1852. Entre 1856 e 1857, terminou os estudos preparatórios, primeiro no Liceu de Braga, depois no de Coimbra, onde, em 1858, se matriculou no Curso de Direito da Universidade, que concluiria em 1863.

Terminado o curso, teve uma curta passagem por Lisboa, onde tentou uma experiência frustrada de exercício de advocacia. Regressou então a Guimarães, onde passará a maior parte dos seus dias, repartidos com estad…

Alberto Sampaio e a Exposição Industrial de Guimarães de 1884

O Palácio de Vila Flor, durante a exposição de 1884.

Uma das preocupações iniciais da Sociedade Martins Sarmento prendeu-se com o desenvolvimento industrial de Guimarães. Logo nos primeiros tempos, mesmo antes da instalação oficial da Sociedade, foi apresentada pelo Director Domingos Leite Castro uma proposta para se organizar uma exposição concelhia. A ideia seria retomada no início de Dezembro de 1883, quando a linha de comboio já se aproximava de Guimarães. Nessa altura, a direcção da Sociedade decidiu pela “conveniência de, por ocasião da abertura do caminho-de-ferro de Bougado a Guimarães, se efectuar nesta cidade uma exposição industrial na conformidade de uma proposta há tempos apresentada pelo nosso colega o Sr. Domingos Leite de Castro”. De imediato setratou da reparação da exposição, que contará com grande adesão por parte das actividades produtivas vimaranenses. Alberto Sampaio, que seria autor, com Joaquim José de Meira, do Relatório da Exposição Industrial, desde cedo teve …

Antigamente: O Natal em Guimarães

"Naquele tempo não havia a árvore aoNatal, nem mesmo o “Pai Natal” era conhecido da petizada; o que se sabia era que o Menino Jesus vinha nessa noite com um alforge cheio de coisas boas, brinquedos, bonecas e macacaria articulada, visitar os quartos dos meninos “que se portassem bem”, e isso era indispensável, e distribuir-lhes os seus presentes.Só depois é que começou a aparecer, mascarado, o tal "Pai Natal" de barbas brancas e de indumentária para resistir às neves; aqui com este clima doce e ameno, em que a neve só aparece lá para o Gerês e Terras de Barroso, não há quem o compreenda coberto de neve; a petizada só acredita no Menino Jesus, esse, sim, era o que lhe trazia as bonecas de cabeça de porcelana, umas até que fecham os olhos ao deitar, muito bem paramentadas, mas cheias de serradura na barriga, braços e pernas; os soldados de chumbo, todos em formatura nas caixas de cartão; as barretinas e espadas de folha; as espingardas que disparavam uma rolha, ou estoura…

Do Toural: 5. História, simbolismo e identidade

O Toural, durante as primeiras festas Gualterianas (1906)
Por razões que me escapam, quando tudo indicava que ia suceder o contrário, tem-se acentuado nos últimos tempos a tendência para o confinamento do Centro Histórico de Guimarães ao interior do espaço intramuros, mais precisamente à área que se estende das imediações da Praça da Oliveira ao sopé da Colina do Castelo, como se o Centro Histórico, por qualquer determinação não escrita cuja origem se desconhece, tivesse passado a terminar na rua Serpa Pinto. Como exemplo desta constatação, sugiro a leitura de uma publicação recente da Zona de Turismo de Guimarães, intitulada “À descoberta do Centro Histórico de Guimarães”, que inclui um mapa onde o Castelo não cabe e onde o Toural nem sequer existe. É fácil de demonstrar que o Toural é, com a Oliveira, uma das praças históricas de Guimarães que permanecem praticamente com a mesma configuração espacial que tiveram ao longo dos séculos. Outros rossios que hoje marcam presença entre os lu…

Do Toural: 4. Do trânsito

Perpectiva geral da proposta de intervenção no Toural.
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A arquitecta Maria Manuel Oliveira, numa comunicação que, seguramente, será lida com atenção pelos técnicos e decisores políticos que têm entre mãos o projecto de intervenção para o Toural, já notou que, no debate em curso, o que está “em causa não é o projecto em si – aliás elaborado por uma equipa de reconhecida qualidade e com provas dadas nos mais significativos edifícios da cidade – mas o pressuposto de pedonalização absoluta do Toural”. Subscrevo, em absoluto, o propósito subjacente ao projecto de “aumentar a qualidade ambiental e formal, diminuindo a presença do automóvel e autocarro em favor da circulação pedonal e bicicleta”. Comungo da ideia de que é preciso dar mais espaço aos peões no Toural, trazendo mais vida para o coração da cidade. Só não estou seguro das vantagens de entregar todo o Toural aos peões, eliminando a circulação automóvel. Estou com os que tendem a acreditar que é possíve…

Do Toural: 3. Do estacionamento

Já ninguém terá dúvidas de que o aspecto central de todo o debate à volta do Toural se prende, não tanto com o redesenho da praça, com mais árvores, menos árvores ou sem árvores nenhumas, cujas soluções serão reversíveis, mas com a necessidade (ou a falta dela) de criar ali um parque de estacionamento subterrâneo e de enterrar o trânsito que atravessa a praça. No fundo, porventura sem o parecer, é à volta destes aspectos do projecto que se tem andado a discutir. A minha perspectiva desta matéria é obviamente subjectiva e empírica, resultando da condição de frequentador da praça e de morador nas suas imediações, uma vez que desconheço os estudos sobre a mobilidade na cidade de Guimarães que estarão na base das soluções avançadas. A sua divulgação pública poderia ser um bom elemento para a compreensão do que é proposto e, porventura, para dar resposta a algumas dúvidas e inquietações que se têm levantado. Isto dito, direi que ainda não me convenceram os argumentos trazidos ao debate em de…

Do Toural: 2. Das fontes e dos monumentos

Fonte-monumento do Toural (1953). Foto obtida aqui.

Um dos temas que, ao longo dos tempos, mais discussões têm gerado, quando se fala do Toural, prende-se com o que se deve lá colocar para embelezar a praça. No início, o Toural era um imenso terreiro vazio. Em finais do século XVI, colocaram-lhe, no lado Sul, um grandioso chafariz de seis bicas, com taças de pedra bem lavradas e todo cercado de assentos de pedra para se recrearem os que ali vão, obra do célebre arquitecto Gonçalo Lopes. Em meados do século seguinte, o Toural ganhou também um cruzeiro de pedra majestoso, elevado sobre escadas, mandado erigir pela Irmandade da Senhora do Rosário, que ficaria conhecido como o Cruzeiro do Fiado, por ser junto a ele que se mercadejava o linho. Chafariz e cruzeiro foram retirados na década de 1870, no decurso do processo de renovação que criaria o jardim fechado, ao jeito do da Praça da Batalha, no Porto. Em 1834, logo após a morte de D. Pedro IV, a Câmara aprovou a proposta de erecção no Tour…

Do Toural: 1. As árvores

No Toural, durante muito tempo, não houve árvores: as primeiras foram plantadas em 1859 e, ao longo do século XX, tanto tivemos o Toural com árvores, como sem elas. Portanto, o problema das árvores no Toural tem sido um problema de jardinagem: tanto se plantam, como se abatem (até a pedido dos moradores), conforme o gosto e a moda. Para mim, é claro que as árvores que hoje estão no Toural, para além de não terem particular beleza ou interesse botânico, como o debate já permitiu perceber, funcionam como barreiras visuais que reduzem a percepção da grandiosidade da praça. E, se se tomar como adquirida a inevitabilidade da construção de um parque subterrâneo na zona em discussão (Alameda e Toural), é evidente que opção pelo Toural é, manifestamente, a mais acertada. Aqui, parece-me bem sustentado o argumento do arquitecto Seara de Sá: fosse o parque construído na Alameda e o arboricídio teria a dimensão de uma hecatombe, tanto pela quantidade, como pela qualidade das árvores a abater. Po…

O Toural em debate

Parece claro que o debate sobre a intervenção no Toural, realizado no dia 12 de Dezembro na Sociedade Martins Sarmento, introduziu um conjunto de questões que são merecedoras de reflexão, com destaque para as que resultam dos argumentos ali apresentados pelos arquitectos presentes. Ninguém, a começar pelos decisores políticos, ignora a particular sensibilidade de uma intervenção que se proponha ir para além da mera cosmética num espaço com a dimensão simbólica, histórica e vivencial do Toural. Daí que seja de registar a decisão da Câmara Municipal de Guimarães de submeter este projecto a escrutínio público, assumindo uma postura humildade democrática, inusitada nos tempos que correm, marcando presença e tomando nota das contribuições que vão sendo avançadas. O mesmo se dirá em relação aos autores do projecto, que não se deixam ficar fechadas numa redoma inacessível e se dispõem a contribuir para o enriquecimento do debate, defendendo e explicando as suas propostas. A iniciativa de quart…

O Toural no último quartel de oitocentos

O Toural em 1884. Foto da Casa de Sarmento.
"Quem há trinta anos se referia ao Toural, referia-se implicitamente ao ponto da cidade onde se reunia o escol da gente da nossa terra, quer nos estabelecimentos que ainda hoje o ladeiam, embora tenham passado a outros possuidores, quer nas ruas e trottoirsque então o atravessavam.A Casa Havanesa; o estabelecimento do rotundo Campos à esquina da Rua de Santo António, anteriormente de Mata Diabos e hoje de 31 de Janeiro; o do Miranda das lotarias, – e das larachas –, homem inteligente e folgazão, mais tarde comendador e cavaleiro; a Loja do Leque, de Rodrigo de Macedo, actualmente commis-voyageur duma importante fábrica bracarense; a do Domingos de Freitas ou da Custódinha; a do Joaquim Leite, vulgo Prosódia; a do Simões, vidraceiro; a do relojoeiro Jácome; a de João de Castro Sampaio, depois de Domingos Vargas, seu sócio e sucessor; a do sr. Braga que Deus conserve – formando a esquina da rua de Paio Galvão e ainda, um pouco mais adiante…

Do nascimento de Alberto Sampaio

Emília Ermelinda da Cunha Cardoso Teixeira, natural da freguesia de Nossa Senhora da Oliveira, casou aos 27 anos de idade com o juiz Bernardino de Sampaio Araújo, originário de S. Cristóvão de Cabeçudos, no dia 25 de Maio de 1840. O casamento duraria menos de dois anos, por força do falecimento do marido. Entretanto, antes de transcorridos 18 meses sobre a data do casamento, nasceram duas crianças, primeiro José, depois Alberto.

Ao contrário do que possa parecer, nada existe que nos permita supor que, em ambos os casos, não terão sido gravidezes a termo. José nasceu 261 dias após o casamento dos pais, o que se situa ligeiramente acima do limiar inferior do tempo de referência para uma gravidez a termo (37 semanas), um pouco menos de 9 meses. Alberto nasceu 283 dias depois, o que dá um intervalo de quase 40,5 semanas. Por regra, no passado, os intervalos entre os nascimentos eram bastante mais dilatados do que este, porque, na ausência de aleitamento artificial, as crianças eram amament…

Raízes liberais de Alberto Sampaio

Bernardino de Sampaio Araújo, pai de Alberto Sampaio, era filho de Manuel Sampaio Araújo e de Ana Maria Carvalho Araújo. Nasceu na freguesia de São Cristóvão de Cabeçudos, em Vila Nova Famalicão. Cursou direito na Universidade de Coimbra, onde o apanhou a revolução liberal de 1820. Formou-se em 1822, vindo a exercer funções de procurador in partibus do Almoxarifado da Vila de Barcelos, cargo que ocupava em 1827. Tendo aderido aos ideais liberais, seria perseguido durante o período da usurpação absolutista, após a aclamação de D. Miguel, acabando por emigrar em 1828. Regressaria a casa em 1834, após a vitória dos liberais na guerra civil. Em 1835 era delegado do Procurador Régio no Juízo de Direito de Famalicão. Em 1837, transitou para as funções de Juiz de Direito Substituto em Guimarães, onde seria eleito deputado substituto em Outubro de 1838. Em Janeiro de 1841, foi despachado juiz de Direito de 1.ª Instância em Celorico de Basto, terra onde viria a falecer, no princípio de 1842. En…

Alberto Sampaio e a Sociedade Martins Sarmento

Alberto da Cunha Sampaio teve, desde os tempos da fundação, um papel muito presente e activo na actividade da Sociedade Martins Sarmento. Apesar de não integrar a Direcção da Sociedade, cujo primeiro presidente foi o seu irmão José, Alberto Sampaio em muito contribuiu, com a sua acção e o seu conselho, para o dinamismo cultural e social que, desde cedo, a SMS assumiu na cidade e no país. Num texto em que dava conta das primeiras actividades da Sociedade, publicado no n.º 1 da Revista de Guimarães, Avelino da Silva Guimarães regista essa colaboração: “Também tivemos muito quem nos animasse. Tivemos uma classe de consócios, que denominámos consultivos, porque assistiam às nossas sessões, e nos auxiliavam com a luz do seu conselho. Neste primeiro período foram os mais assíduos os snrs. Rodrigo de Menezes e Alberto Sampaio.” A voz de Sampaio foi ouvida aquando da redacção do Regulamento Geral da Sociedade, ainda no início de 1882. Em Janeiro de 1883, a sua opinião teve peso na aprovação de u…

Do número de vizinhos que tem a vila de Guimarães

[Clicar para ampliar] Vista geral de Guimarães. Gravura de J. Cristino.In José Augusto Vieira, O Minho Pitoresco, Livraria António Maria Pereira - Editor, Lisboa, 1886, tomo I, p. 601.

"Entre todas as vilas do reino, é esta de Guimarães a mais povoada, porque de todas só Santarém e Setúbal lhe levam vantagem no número de fogos e vizinhos, mas se estas hoje são mais assistidas, Guimarães no aprazível em todos os séculos foi mui assistida, e admirável. Recolhe esta vila em seus muros 683 vizinhos, e com todos os arrabaldes de que tenho dado conta, é povoada de 1973, repartidos por cinco paróquias, que são S. Miguel do Castelo, matriz da vila velha Araduca, a Real Colegiada, matriz da nova vila de Guimarães, com dois cónegos curas, a paróquia de S. Paio e a de S. Sebastião."(Padre Torcato Peixoto de Azevedo, Memórias Ressuscitadas da Antiga Guimarães, manuscrito de 1692, cap. 90)

Imagens de Guimarães: Campo da Feira em 1858

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Estereoscópia de Antero Frederico de Seabra, 1858.

O Campo da Feira em 1858. O espaço tinha uma configuração muito diferente da actual. Ao centro, a igreja dos Santos Passos ainda sem as torres. Em frente à igreja, estende-se o tabuleiro da ponte sobre o ribeiro de Santa Catarina (Rio de Couros). Do lado direito, a fachada do antigo Teatro D. Afonso Henriques.

Imagens de Guimarães: Oliveira

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Vista parcial da Praça da Oliveira.

A pintura que damos aí acima foi publicada em 1981 na capa do primeiro volume da obra Património Artístico e Cultural de Guimarães, do Eng.º José Maria Gomes Alves, à altura Presidente da Direcção da Sociedade Martins Sarmento. Segundo aquele autor, esta gravura, "salvo erro, anda no Minho Pitoresco do Pinho Leal", o que não se confirma (aliás, Pinho Leal não é autor daquela obra, escrita por José Augusto Vieira, mas sim do Portugal Antigo e Moderno, onde onde esta imagem também não consta). O quadro terá sido pintado entre a década de 1830, em que se realizaram as obras na Colegiada durante as quais foram rasgadas as quatro aberturas do janelão situado sobre o pórtico da igreja, e o ano de 1857, em que o Padrão e o adro da Igreja foram cercados por grades em ferro, que não aparecem nesta obra. Trata-se, com forte probabilidade, de uma reprodução de uma pintura de Augusto Roquemont, o qual também trabalhou n…

Alexandre Herculano e as obras da Colegiada

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Vista parcial da nave central da Igreja da Oliveira, após as obras da década de 1830. Em 1830, o cabido mandou reformar a igreja da Colegiada da Oliveirra. Da reforma resultou a cobertura do interior com cal e a colocação na nave de um tecto de estuque, decorado com pinturas de Augusto Roquemont. Destas obras resultou o alindamento da igreja ao gosto da arquitectura da época, emparedando a sua identidade gótica. Na altura, o historiador Alexandre Herculano expressou a sua crítica a esta intervenção no texto que aqui se transcreve:
"Todavia, ainda há quem deplore a destruição das memórias venerandas de melhores tempos; ainda há quem lute contra a torrente de barbária que alaga este país tão rico de recordações, recordações que tantos ânimos envilecidos pretendem fazer esquecer. Sabemos que os nossos brados de indignação acham eco em muitos corações. Temos visto e recebido cartas acerca deste assunto escritas com a eloquência da convicção e de profund…