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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2006

A basílica imperfeita

Em Setembro de 1616, o Cabido autorizou a Irmandade de S. Pedro a utilizar a Capela de S. João Baptista (O Cabido Velho), situada no claustro da Colegiada da Oliveira, para satisfação das suas obrigações de culto. Mas o relacionamento com os cónegos seria conflituoso, dificultando a coabitação. A Irmandade tentaria, sem êxito, comprar um altar na igreja de S. Dâmaso, para celebração dos seus ofícios. Em 1733, instalou-se numa capela do claustro de S. Francisco. Não tendo casa própria, a Irmandade de S. Pedro projectava edificar a sua própria capela, tendo pedido à Câmara, sem sucesso, licença para construir no actual largo do Trovador, junto a S. Francisco. A solução foi encontrada no Toural, onde, em 1737, começou a ser edificada a nova capela, que se benzeu no dia 11 de Novembro de 1850. Em 1752, ainda a obra estava longe de acabada, Luís António da Costa Pego obteve um breve do Papa Bento XIV que elevou a capela ao estatuto privilegiado de basílica. Freitas e Sampaio escreveu, no …

O Toucinho-do-Céu

Nas vésperas no campeonato da Europa de Futebol de 2004, ao apresentaras cidades que iriam acolher os jogos, a insuspeita revista Time publicou o seguinte: Guimarães é chamada frequentemente o "berço da nação" porque foi aqui que, em 1128, Portugal declarou a sua independência dos espanhóis de Castela e da Galiza. Hoje, porém, é mais conhecida por uma sobremesa chamada toucinho-do-céu (Bacon from Heaven), um bolo rico de ovo e amêndoa com origem no convento de Santa Clara, fundado no século XVI. Quando um decreto republicano proibiu todas as ordens religiosas, em 1834, o convento desapareceu, mas os seus descendentes transmitiram uma versão da iguaria. O toucinho-do-céu tem um gosto açucarado único – perfeito para os fãs do futebol com a boca doce. Apesar das passagens que nos fazem sorrir (o suposto decreto republicano de 1834, a sugestão de Guimarães ser mais conhecido pelo tal Bacon from Heaven do que por ser o berço da Nação, a menção a “descendentes” do convento de Santa …

O Pai das Orelheiras

O Carnaval é um tempo de excessos, desregramentos, folias e bebedeiras, durante o qual se celebra a morte simbólica do que é velho e o subsequente renascimento colectivo. Consentidas pela religiosidade dominante como um breve momento de alegria e licenciosidade que antecede as sete semanas de tristeza e recolhimento da Quaresma, as práticas carnavalescas derivam dos velhos rituais de purificação que ocorriam no dealbar da Primavera, marcando o início do ano agrário. Não é por acaso que as gentes das nossas aldeias o chamam de Entrudo (do latim entroitus, que significa entrada).Como quase todas as nossas festas tradicionais, o Carnaval também passa pela mesa. Desregrado por natureza, é marcado pelo desregramento alimentar: o Carnaval é pantagruélico — no Entrudo, come-se de tudo. É antecedido pelo Domingo Gordo, o seu dia é a Terça-Feira Gorda. Este é o tempo em que o mais generoso dos animais domésticos, o porco, é rei, se bem que rei morto, cabendo às suas orelhas o papel de principa…